Mostrando postagens com marcador comédia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comédia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Minhas Mães e Meu Pai

"Minhas Mães e Meu Pai" faz retrato de família moderna
A família contemporânea mudou. As dinâmicas familiares continuam as mesmas, mas os membros que as compõem são diferentes, como bem mostra "Minhas Mães e Meu Pai".
Na comédia de Lisa Cholodenko ("Laurel Canyon - A Rua das Tentações"), Julianne Moore ("Ensaio sobre a Cegueira") e Annette Bening ("Beleza Americana") formam um casal de lésbicas, mães de dois filhos. Cada uma deu à luz um deles, concebidos com inseminação artificial do mesmo pai, Paul (Mark Ruffalo, de "Ilha do Medo").
Escrita por Cholodenko e Stuart Blumberg ("
Tenha Fé"), "Minhas Mães e meus Pais" tem um olhar astuto sobre a família e a forma como pais e filhos se relacionam atualmente. Joni (Mia Wasikowska, de "Alice no País das Maravilhas") acaba de completar 18 anos, é brilhante e vai para uma faculdade de prestígio. Seu irmão mais novo, Laser (Josh Hutcherson, "Viagem ao Centro da Terra"), é do tipo esportivo. É ele quem a convence a procurar a clínica de inseminação para descobrir a identidade do doador, ou seja, o pai dos dois.
Quando Paul, dono de um restaurante, entra em cena, a harmonia da família sai pela porta dos fundos. Não que tudo estivesse indo muito bem. O melhor amigo de Laser é uma péssima influência sobre ele, e Joni tem dúvidas sobre estar apaixonada. À medida que o pai deles começa a tomar contato com os dois, as dúvidas e problemas de cada um vêm à tona e mostra que as mães, Nic (Annette) e Jules (Julianne), não são tão perfeitinhas quanto julgavam.
Nic é uma médica, organizada e controladora, pés no chão, e mantém a família no prumo. Já Jules é uma espécie de hippie que já tentou vários trabalhos, mas nunca se satisfez com nenhum deles. As duas se amam, mas, como qualquer casal, enfrentam crises.
Ao contrário da maioria das comédias, tanto nacionais quanto estrangeiras, os personagens de "Minhas Mães e meu Pai" passam longe de ser meros tipos nas mãos de roteiristas e diretores para efeito cômico. Aqui, existem seres humanos lidando com problemas, sentimentos e emoções. Jules e Nic são mães compreensivas, mas que nunca realmente entendem seus filhos. Cheias de dúvidas, creem fazer o melhor, mas nem sempre se saem bem.
Por isso, a chegada de Paul soa, num primeiro momento, como uma ameaça. O que esse estranho quer dos filhos delas? Ele que, sequer, sabia da existência de Laser e Joni, agora reivindica seus direitos de pai?
O detalhe é que ele desconhecia isso não por descaso seu, mas porque nunca foi comunicado - o que até faz parte do sigilo desse tipo de doação. Quando descobre que tem dois filhos quase adultos, ele tenta recuperar o tempo perdido, pensando em assumir o papel de pai.
Paul não é um vilão - até porque neste filme não existem rotulações. Na verdade, a sua atitude perante a vida incomoda Nic e seduz Jules, que trabalha como paisagista e está montando um jardim no fundo da casa dele. Mesmo quando a história ameaça jogar todos os demônios dos personagens para cima de Paul, a diretora e Ruffalo sabem que o pai de Laser e Jules não é culpado de tudo.
Sem cair em vícios do cinema independente norte-americano, que parecem colar um selo de aprovação do Festival de Sundance nos filmes, "Minha Mães e Meu Pai" tem a narrativa conduzida pelos personagens e suas ações, ou melhor, suas escolhas e renúncias. Cholodenko dá espaço para que os atores trabalhem sem que movimentos de câmeras e efeitos de fotografia desnecessários desviem a atenção da trama.
"Minhas Mães e Meu Pai" ganhou o prêmio Teddy, no Festival de Berlim, em fevereiro - uma estatueta conferida ao melhor longa de temática gay. Cholodenko faz um retrato terno e engraçado de nosso tempo. Tempos em que criar os filhos parece muito mais complicado do que colocar comida na mesa e pagar as contas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cyrus


John (John C. Reilly) divorciou-se recentemente, mas conhece a mulher dos seus sonhos, Molly (Marisa Tomei), e ambos vêm um futuro feliz para ambos. Mas quando John conhece Cyrus (Jonah Hill),o filho de Molly, percebe que as coisas já não vão correr como ele imaginava.

Scott Pilgrim contra O Mundo




Do diretor de Todo Mundo Quase Morto e Chumbo Grosso, vem a comédia de ação que parodia o mundo dos games e dos super-heróis: Scott Pilgrim contra O Mundo. Michael Cera interpreta um nerd que se apaixona por uma super-heroína (Mary Elizabeth Winstead) e precisa enfrentar a fúria (e os poderes) dos sete ex-super namorados dela.

No elenco também aparecem Chris Evans, Kieran Culkin, Anne Kendrick, Brandon Routh e Jason Schwartzman

A estética é única...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Get Him To The Greek


Get Him To The Greek [EUA, 2010], de Nicholas Stoller (Universal). Gênero: comédia. Elenco: Jonah Hill, Russel Brand. Sinopse: Um funcionário de uma gravadora é contratado para acompanhar um astro do rock britânico fora de controle em um show no Greek Theater de Los Angeles. Estréia Nacional: 10/09/2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vocês, Os Vivos


A esquisitíssima obra-prima de Roy Andersson
Érico Borgo /Omelete
Com 57 vinhetas divididas ao longo de 94 minutos, o cineasta Roy Andersson deixa sua pegada no tapete vermelho da Sétima Arte. Seu longa Vocês, Os Vivos (You, The Living) é o tipo de filme que os cinéfilos querem ver. É filme que choca, que critica, mas que faz rir - e pensar. É o tipo de filme, também, que reanima as papilas gustativas da mente, amortecidas por tanta bobagem. Depois de Andersson, que sustenta suas excentricidades fílmicas com dinheiro de direção de comerciais, estou pronto para encarar mais uma centena de filmes ruins sem risco de emburrecer.
O cineasta não é suiço, é sueco, mas seu filminhos passam pela tela com precisão de relojoeiro. São em sua maioria planos-seqüência (sem cortes) com monólogos ou diálogos absurdos, muitas vezes embaraçosos. Tudo perfeitamente coordenado e enquadrado com uma câmera fixa, quase sempre a partir de um plano levemente elevado. Os cálculos de Andersson nos forçam a olhar o quadro inteiro - não é só no primeiro plano que acontece a ação, e por trás de toda porta ou toda janela há uma banalidade a ser notada. É como se o diretor fosse uma espécie de deus, afastado, observando seus "vivos", que eventualmente dirigem-se a ele em ambientes desbotados onde a graça (do filme) surge da absoluta falta de graça (do espaço).
Todos os personagens dessas cenas curtas são caricatos e a maquiagem exagerada, pálida, ajuda a dar esse efeito. Eles trafegam pelo mundo com insegurança, feito mortos-vivos, e se escondem pelos cantos como fantasmas. Sempre em busca de seus objetivos e incapazes de virar a cabeça. Ninguém entende ninguém, afinal, como uma senhora gorda punk faz questão de gritar para o namorado (e todo o bar) ouvir. Essa frase, aliás, dá o tom de todo o filme... Coitado do sujeito que tentava, totalmente deslocado, animar uma festinha. Seu truque de salão acabou por colocá-lo na cadeira elétrica. É que "as louças tinham mais de 200 anos"... como ele iria saber? E como os donos da louça saberiam das melhores intenções do sujeito? E que diabos são aquelas referências à Segunda Guerra?
Cada pequena cena se sustenta sozinha, mas aos poucos algumas historinhas começam a surgir. Não que elas sejam necessárias - o que importa aqui é o que o diretor denomina como o "trivialismo", pequenas ocorrências que pontuam a tragicomédia humana.
A ausência de sentido de Vocês, Os Vivos faz todo o sentido aqui.

Beijo Na Boca, Não!



Comédia musical de 2003 de Alain Resnais enfim estréia no Brasil
Marcelo Hessel /Omelete
O cineasta francês Alain Resnais (Medos Privados em Lugares Públicos) não filmava há seis anos, quando lançou Pas sur la Bouche em 2003. Apesar do hiato, há uma relação direta com seu filme anterior, Amores Parisienses (1997), que por sua vez se liga a La Vie est un Roman, de 1983. São as comédias musicais de Resnais, em que os personagens dialogam com o espectador e, via metalinguagem, o cineasta presta homenagem ao gênero.
Pas sur la Bouche finalmente estréia no Brasil, com o título Beijo na boca, não!. A história se inspira em uma opereta de 1925 escrita por André Barde e Maurice Yvain, e a metalinguagem fica evidente já no começo, quando o empregado da mansão parisiense dos Valandray, Faradel (Daniel Prévost), consegue se livrar de três belas jovens, biconas que estavam comendo todo o chá da tarde - depois da primeira canção do filme, em que as convence a pegar uma liquidação nas Galerias Lafayette, ele vira para a câmera e solta: "Pronto, conseguimos nos livrar do coro".
E começa a trama, com ecos das comédias de costume shakespeareanas e das screwball comedies de Hollywood. O casal Gilberte (Sabine Azéma) e Georges Valandray (Pierre Arditi) está para receber um rico empresário estadunidense, mas Georges mal suspeita que o gringo, Eric Thomson (Lambert Wilson), foi o primeiro marido de sua esposa. Enquanto Gilberte se desespera com a iminência do encontro, outros casais se desencontram no vaivém da mansão, entre flertes e números musicais.
Não se trata de um musical clássico, com coreografias produzidíssimas. Tirando uma música coletiva que envolve um bailado de espelhos e colunas, o filme de Resnais é mais uma cantoria encenada com atenção a gestuais, movimentos de câmera e cortes sofisticados. O grande chamariz, porém, são as cores. Desde os filtros de lente até a decoracão kitsch, passando pelo brilho de jóias e porcelanas, tudo remete aos grandes musicais em cores dos anos 40 da MGM - e na cena em que os personagens entram na vila é impossível não atentar para os tons no cenário típicos do Technicolor.
A certa altura, o personagem metido a artista de vanguarda mostra aos convidados da mansão seu número de "arte total" - exposição misturada com música. Resnais tira sarro dessas megalomanias sensoriais. Diretor de clássicos inovadores da linguagem como Hiroshima, Meu Amor e Ano Passado em Marienbad, o francês hoje se permite fazer filmes despretensiosos com seus atores mais próximos, como Pierre Arditi e Sabine Azéma. Ícone de uma geração cinefílica e crítica que soube valorizar os filmes hollywoodianos mais comerciais dos anos 40 e 50, hoje celebra os filmes daquela época à sua moda - e particularmente dá a Lambert Wilson um personagem de sotaque inglês impagável.
O mais importante é que Resnais não descuida da encenação: ângulos e planos são escolhidos com rigor, mas sem exibicionismo. Beijo na boca, não! prescinde do supérfluo e agrada justamente porque sabe muito bem onde quer chegar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Greenberg



Festival de Berlin 2010

A Mente Que Mente



Elenco: Colin Hanks, Tom Hanks, John Malkovich, B.J. Hendricks, Emily Blunt, Jacquie Barnbrook, Ankur Bhatt, Osa Danam, Bubba Da Skitso, Griffin Dunne, Patrick Fischler, Matthew Gray Gubler, Nate Hartley.

Direção: Sean McGinly
Gênero: Comédia
Duração: 90 min.
Distribuidora: Europa Filmes
Estreia: 15 de Janeiro de 2010
Sinopse: Jovem cansado da faculdade de direito sonha em ser escritor. Enquanto busca um emprego freelancer, conhece Buck Howard, mentalista famoso nos anos 70 que sobrevive de pequenos shows e da fama que fez em suas aparições no programa "Late Show", com Johnny Carson. Ele passa a acompanhar o showman como seu gerente de produção, e descobre no emprego a magia da experiência de vida.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Tudo Pode Dar Certo


Boris Yellnikoff (Larry David) é um velho rabugento que tem o hábito de insultar seus alunos de xadrez. Ex-professor da Universidade de Columbia, ele considera ser o único capaz de compreender a insignificância das aspirações humanas e o caos do universo. Um dia, prestes a entrar em seu apartamento, Boris é abordado por Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe implora para entrar. Ele atende ao pedido, a contragosto. Percebendo sua fragilidade, Boris permite que ela fique no apartamento por alguns dias. Ela se instala e, com o passar do tempo, não aparenta ter planos de deixar o local. Até que um dia lhe diz que está interessada nele.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Férias Frustradas De Verão



Elenco: Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Ryan Reynolds, Kelsey Ford, Michael Zegen, Ryan McFarland, Jack Gilpin, Wendie Malick, Matt Bush, Todd Cioppa, Stephen Mast, Kristen Wiig, Bill Hader.
Direção: Greg Mottola
Gênero: Comédia
Duração: 107 min.
Distribuidora: Disney Buena Vista
Estreia: Direto em DVD - Agosto 2009
Sinopse: James Brennan acaba de se formar na faculdade e está se preparando para tomar cerveja alemã, visitar famosos museus ou flertar com charmosas francesinhas nas suas tão sonhadas férias pela Europa. Mas, seus pais lhe reservam uma desagradável surpresa e, ao invés de arrumar as malas, ele terá que arrumar um emprego, e rápido!E assim, entre tantas tentativas em descolar um trabalho, ele se prepara para passar as férias de verão dando duro num parque de divresão, ao lado de crianças barulhentas e pais não menos briguentos. Mas, como a vida traz muitas surpresas, sua bela colega de trabalho começa a lhe dar bola e ele percebe que nem tudo está perdido.
Curiosidades: » Dos mesmos diretores de 'Superbad - É Hoje!'.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sunshine Cleaning


Para poder trabalhar com sua Irmã, uma mulher matricula o filho de oito anos em uma escola particular. Mas o negócio em que ambas irão trabalhar é duvidoso: uma empresa especializada em remoção de perigos biológicos e limpezas de cenas de crime.

The Vicious Kind


Comédia dramática sobre um homem que se torna obcecado com a namorada de seu irmão que aparece no dia de Ação de Graças.

In the Loop


O filme "Queime depois de ler" estreou no Festival de Sundance de 2008 e já tem cria. In the loop, de Armando Iannucci, é uma comédia que segue o mesmo estilo e ambientação do filme dos irmãos Coen, mas na versão inglesa. Quem é fã do humor britânico vai adorar esse hilariante filme que fala dos bastidores de uma votação das Nações Unidas. A questão chega a ONU depois do atrapalhado ministro de relações públicas comentar no rádio que "a guerra" é inevitável. O que era para ser uma declaração inocente acaba causando uma confusão internacional.No elenco está James Gandolfini (o machão Tony na série The Sopranos) como Miller, um General que mal entende de guerra e é constantemente passado para trás. Anna Chlumsky, que estrelou "Meu primeiro amor" em 1994, cresceu e apareceu. Ela é a autora de um documento com os prós e contras "da guerra", acontece que o inescrupuloso ministro das comunicações inglês retirou os contras na hora da votação. Inicialmente, a Inglaterra era contra a tal guerra, mas o tal Ministro, vivido por Peter Capaldi, também trabalha para o governo americano. Recheado de sarcasmo, esporros e inúmeras referências culturais, In the loop promete ser a transição de Gandolfini para a telona e a volta triufante de Chlumsky.

Humpday


Comédia dramática leva o conceito de bromance ao extremo
Marcelo Hessel/Omelete
O conceito de bromance - amigos que até abrem mão do sexo oposto em nome de sua amizade - é levado ao extremo na comédia dramática O Dia da Transa (Humpday), uma espécie masculina e bastante melhorada de
Beijando Jessica Stein.
Ben (Mark Duplass) e Andrew (Joshua Leonard) não se viam há anos, mais exatamente desde que o primeiro abortou a aventura que os dois fariam juntos mundo afora. Ben virou o típico mauricinho, com um emprego em transporte de cargas e uma esposa que está tentando engravidar. Andrew, que acabou pegando a estrada sozinho, nunca mais parou - e por isso virou o eterno solteiro sonhador que não concretiza nada na vida.
A trama parte do dia em que eles se reencontra, quando Andrew, chegando de viagem pelo México, bate na porta do casal atrás de um lugar para dormir. A comédia estilo três-é-demais logo ganha outros contornos - na noite seguinte, Andrew arrasta Ben para uma festa, e os dois, depois de muito rir e beber, combinam de fazer um pornô entre si.
O pretexto seria a oportunidade de inscrever um filme de fato transgressor - um pornô gay heterossexual - no festival de pornografia artística Humpfest, mas, evidentemente, entre Ben e Andrew, a situação não é tão simples. Um está querendo provar que não é careta como o amigo pensa. O outro, que consegue ir até o fim com um projeto. E eles vão mesmo transar para se afirmar - afinal, está em jogo ali não só a imagem que criaram socialmente, mas a imagem que fazem de si mesmos.
Essa questão da imagem é central (Ben se vestir e se portar como "mano" no dia seguinte à bebedeira é emblemático), e ela só vai se resolver - ou não - no tal dia da transa. Contrariando o espectador descrente, os dois levam sua promessa aos finalmentes, e a cena no quarto de hotel é o nervo do filme.
É aí que o pequeno grande trabalho da diretora Lynn Shelton (que interpreta a lésbica Monica no começo do filme) mostra a que veio. Sem grandes invenções estéticas, trabalhando basicamente com texto, escudada em dois atores bastante afinados, ela demonstra como é difícil desconstruir uma autoimagem. Pela forma como Ben e Andrew conversam, como modulam sua voz ou mudam seu vocabulário para falar a língua do outro ou soar profundos, como tentam se convencer (e convencer a si mesmos) da decisão que estão tomando...
O teatro social, constituído de espelhos, é encenado de forma bastante melancólica neste final de O Dia da Transa. O enrustido pode não ser quem se dizia, mas o outro, por exemplo. Não se espante se os personagens terminarem o filme sendo as mesmas pessoas que o começaram - o que muda, no fundo, é a maneira como nós os enxergamos de fora.

Um Homem Sério



Elenco: Michael Stuhlbarg, Sari Lennick, Richard Kind, Fred Melamed, Aaron Wolff, Jessica McManus, Adam Arkin, Simon Helberg, Adam Arkin, George Wyner.
Direção: Joel Coen e Ethan Coen
Gênero: Comédia
Duração: 105 min.
Distribuidora: Universal Pictures
Estreia: 19 de Fevereiro de 2010
Sinopse: Em 1967, Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de Física da Universidade de Midwestern, que acaba de ser informado que sua esposa Judith (Sari Lennick) o está deixando. Ela apaixonou-se por um de seus colegas, Sy Ableman (Fred Melamed), que, aos seus olhos, é alguém muito mais interessante do que seu marido. A família de Larry também não é lá essas coisas: seu irmão Arthur (Richard Kind) mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolf) é um estudante problemático e rebelde; e sua filha Sarah (Jessica McManus) pega, frequentemente, dinheiro de sua carteira, para fazer uma plástica no nariz. Uma carta anônima também ameaça sua carreira na universidade. Larry, então, decide pedir conselhos a três diferentes rabinos que poderão ou não ajudá-lo, diante de tantos problemas.
Curiosidades: » Dos irmãos diretores Coen, ganhadores do Oscar por 'Onde of Fracos Não Têm Vez' (2007).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Marte Ataca!


A idéia de Tim Burton ao fazer Marte Ataca! foi criar um filme bem “trash”, como aqueles que costumava a ver quando era criança, tanto os de terror quanto de ficção científica dos anos 50, inspirado em figurinhas colecionáveis que existiram durante sua infância. Longe de ser apenas uma bizarra comédia, este filme assume também um caráter crítico/sarcástico diante da sociedade norte-americana, se observados com cuidado cada personagem e sua história, com seus vícios, nacionalismo cego, conservadorismo, etc. E talvez Burton quisesse realmente atacar os valores materialistas das sociedades ocidentais usando seus marcianos. Como tradição, mais uma vez o diretor se põe na tela, não só como alienígenas destruidores, mas também como o garoto Ritch Norris, que lembra Tim até na aparência em sua juventude.
“Marte Ataca!” (Mars Attacks!, 1996), dirigido por Tim Burton, é uma grande paródia em homenagem aos filmes de Ficção Científica dos anos 1950, a década de ouro do cinema fantástico, época nostálgica da invasão dos discos voadores e alienígenas de olhos esbugalhados. Entre as diversas curiosidades, citações e homenagens, podemos destacar as seguintes (podem conter SPOILERS): * Referências a diversos filmes, entre eles: - “A Guerra dos Mundos” (The War of the Worlds, 1954), através das naves espaciais com tentáculos atacando as cidades e à destruição dos marcianos por causa de um vírus da Terra; - A pérola de baixo orçamento “A Invasão dos Discos Voadores” (Earth Vs. The Flying Saucers, 1956), na concepção idêntica dos discos voadores e em cenas de destruição de monumentos tradicionais americanos; - O clássico “O Planeta dos Macacos” (The Planet of the Apes, 1968), na cena em que os marcianos tiram uma foto posando em frente de ruínas (no filme de Franklin J. Schaffner os macacos tiram uma foto posando com vários humanos capturados numa caçada); - O divertido filme do subgênero “Big Bug” chamado “O Começo do Fim” (Beginning of the End, 1957), onde gafanhotos gigantes são destruídos por ondas sonoras eletrônicas, numa idéia similar igualmente utilizada em “Marte Ataca!”; - O clássico “O Dia Em Que a Terra Parou” (1951), na cena de aterrissagem da nave marciana no deserto de Nevada, onde os invasores destróem inicialmente apenas as armas terráqueas, simulando intenções pacíficas e mais tarde revelando um maquiavélico plano de invasão hostil. * As naves alienígenas invasoras e os marcianos são tipicamente no estilo dos filmes dos anos 50, ou seja, discos voadores que giram e possuem garras mecânicas para pousar em terra firme, e os marcianos possuem cérebros enormes e desproporcionais em relação ao resto do corpo, além dos tradicionais olhos esbugalhados (sem contar que seu idioma lembra ruídos de patos e suas armas são pistolas coloridas que carbonizam a carne humana). * Os marcianos respiram nitrogênio e os cientistas humanos alegaram que não tinham descoberto vida em Marte devido às fundas crateras com até 160 Km de profundidade, as quais não eram alcançadas para serem estudadas. * O filme reuniu um elenco estelar com nomes como Jack Nicholson (como o Presidente dos Estados Unidos), Annete Benning e Glenn Close (esposa do Presidente), além de participações rápidas de Michael J. Fox (como um repórter de TV), Danny DeVito, Joe Don Baker (da série dos anos 70 “Havaí 5-0”), Pierce Brosnan (como um cientista), Rod Steiger, Tim Brown, Pam Grier, Natalie Portman e Sarah Jessica Parker (como uma repórter de TV). * Uma característica interessante é que vários desses atores conhecidos do público e com suas carreiras já consagradas, acabaram morrendo impiedosamente no filme, alguns carbonizados pelos marcianos como Michael J. Fox e Danny DeVito, ou como o caso de Glenn Close, que morreu esmagada por um gigantesco lustre, ou ainda o próprio Jack Nicholson, que foi empalado por uma mão mecânica marciana.

Ed Wood



Tim Burton faz dupla homenagem carinhosa (e criativa): ao cineasta do título e aos filmes de terror B
Por: Rodrigo Carreiro

Tim Burton é um cineasta estranho e um sujeito estranho, que gosta de filmes estranhos com personagens estranhos. E depois de repetir quatro vezes a mesma palavra em uma única frase, é fácil chegar à conclusão de que o vocábulo é a melhor definição possível para “Ed Wood” (EUA, 1994). Estranho e adorável, esse filme em preto-e-branco do diretor de “Edward Mãos-de-Tesoura”. Apesar de pretensamente ser uma cinebiografia, talvez seja este o trabalho mais autoral de Tim Burton. E o melhor também.
Uma análise atenta de “Ed Wood” pode permitir ao espectador aproximar-se bastante do cerne da obra de Tim Burton, que é essencialmente emocional. Os filmes que esse diretor da aparência excêntrica (cabelos desarrumados, óculos e camisas invariavelmente pretas) produz são obras de alguém que teve a infância solitária e sempre se sentiu um desajustado social. Alguns temas relampejam insistentemente nos filmes que ele produziu, mesmo aqueles comandados por grandes estúdios (os dois primeiro “Batman”, principalmente); todos esses temas estão firmes e claros em “Ed Wood”.
Em primeiro lugar, o mundo da imaginação do cineasta está localizado em algum recôndito escondido nos anos 1950. Isso era latente em “Edward Mãos-de-Tesoura”, retorna com força em “
Peixe Grande” e dá vislumbres em vários outros filmes. A cinebiografia do pior cineasta de todos os tempos é logicamente ambientada nessa época. Não por coincidência, foi a época em que Burton era criança e vivia na Califórnia, com os pais, em uma casa cujas janelas eram forradas com pano negro e jamais ficavam abertas.
O menino Burton viveu, portanto, num mundo sombrio, algo como um programa de terror B de televisão. E é exatamente isso que, acima de tudo, “Ed Wood” homenageia, filtrando esse mundo subterrâneo pela ótica de um sujeito que jamais se dá conta do que se passa ao redor dele. Ed Wood, o cineasta, é retratado no filme com tamanho carinho que se torna impossível não adorá-lo, não perdoá-lo pelos filmes horríveis que fez. Wood era um cara que vivia num outro mundo, localizado dentro da própria imaginação.
Talvez por isso, cada pedaço de celulóide filmado por ele lhe parece uma obra-prima genial. Cada ator de terceira categoria que ele contrata é, para ele, um gênio da sétima arte. Tim Burton aumenta ainda mais a identificação da platéia com o homem patético que ele é contrapondo a ele a figura da namorada, Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker), o lastro das fantasias tresloucadas de Wood (“vejo que a corja de vagabundos e drogados está toda aqui”, diz ela, a certa altura do filme). Ela está correta, claro, mas os delírios de Ed Wood não param. Tamanha ingenuidade só poderia ser recompensada com a simpatia eterna da platéia.
Por outro lado, do
ponto de vista estético, Burton foi meticuloso e mesclou brilhantemente a atmosfera dos filmes do próprio Ed Wood ao estilo dos seriados de terror que ele próprio (Burton, não Wood) tanto ama. O filme foi inteiramente rodado em preto-e-branco, em fotografia que dá ênfase aos contrastes e usa abundantemente fumaça de gelo seco. A música de Danny Elfman é puro filme B, incluindo até mesmo aqueles uivos e assobios dos filmes antigos de vampiros. Diga a verdade: não parece que o verdadeiro Ed Wood, de carne e osso, vivia dentro de um dos filmes que fez?
É exatamente essa a chave para entender – e amar – o filme de Tim Burton. O cineasta de “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” se esmerou para produzir uma homenagem a um desajustado social que encontrou uma válvula de escape à rejeição refugiando-se dentro dos próprios sonhos, como ele próprio fez, três décadas depois. “Ed Wood” talvez seja mais uma autobiografia do que uma cinebiografia.
Além disso, há ainda o charme ingênuo de Johnny Depp, cujo rosto angelical emoldura perfeitamente os delírios do protagonista, e um elenco de apoio absolutamente perfeito. Somente um homem cego, surdo e mudo é capaz de não se emocionar com a brilhante atuação de Martin Landau, praticamente reencarnando o húngaro Bela Lugosi em seus últimos e trágicos momentos (a atuação valeu um Oscar a Landau). O pedaço de celulóide que mostra Landau colhendo uma flor emociona tanto a Ed quanto a todos nós. Precisamos de mais “Ed Woods”, que tal?

Edward Mãos-de-Tesoura


Tim Burton constrói fabula atemporal com visual belíssimo e roteiro inteligente
Por: Rodrigo Carreiro
“Edward Mãos-de-Tesoura” (Edward Scissorhands, EUA, 1990) é uma fábula que se passa nos Estados Unidos, em algum momento entre as décadas de 1950 e 1980. Ponto. Não é preciso ser muito perspicaz para perceber esse detalhe durante os primeiros minutos de projeção, mas muita gente estranhou. É normal, já que fábulas se passam, por tradição, em uma “Terra do Nunca” sem idade.
Na verdade, existe uma “Terra do Nunca” no filme. É o mundo gótico, esquisito e adorável criado pelo diretor Tim Burton. No comando de filmes de estúdio (“Planeta dos Macacos”) ou projetos pessoais (“
Ed Wood”), o cineasta sempre conseguiu a proeza de ambientar os envolventes enredos numa atmosfera onírica, contraditória, sombria e aconchegante ao mesmo tempo. Esse é o mundo de Tim Burton, um dos estetas visuais mais interessantes a filmar em Hollywood.
De certa forma, dá para dizer que “Edward Mãos-de-Tesoura” é a obra-prima de Tim Burton. Ainda que ele tenha sofisticado tanto sua capacidade narrativa quanto a bela ambientação gótica em filmes subseqüentes, nenhum filme que ele realizou conseguiu unir tão bem a poesia visual, a simplicidade narrativa e o tom de fábula que o cineasta tenta (e quase sempre consegue) imprimir em cada polegada de celulóide que filma.
Edward (Johnny Depp, na primeira colaboração com o diretor) é um jovem que mora sozinho num castelo, com fama de mal-assombrado, na periferia de uma pequena cidade típica dos EUA da década de 1950. Numa tarde, ele é visitado por Peg Boggs (Dianne Wiest), uma vendedora da Avon que passa por um período de vendas particularmente ruim. Peg se compadece da solidão e da dificuldade do jovem, que tem tesouras no lugar das mãos porque o inventor que o criou (Vincent Price, numa ponta deliciosa) morreu antes de terminar a criação. Ela o leva para morar com a família Boggs.
Investindo num tema que vai se mostrar obsessivo em trabalhos vindouros (a péssima capacidade dos norte-americanos em aceitar gente diferente do padrão normal), Tim Burton criou um filme mágico e atemporal. O uso de cores é o detalhe que mais chama a atenção: casas,
carros e objetos são pintados em tons monocromáticos e berrantes, dando a impressão de que são brinquedos rústicos. O céu azul-bebê e a falta de sombras (com exceção para as cenas elaboradas dentro do castelo de Edward) contribuem para intensificar o clima onírico.
O visual parece, na verdade, uma mistura dos anos 1950 (cercas brancas, jardins verdes, jaquetas de couro) com a década de 1980 (penteados enormes). Isso acentua a impressão de que Burton se esforçou para criar um tempo e um espaço particulares para a sua obra. E conseguiu, com a ajuda providencial de um Johnny Depp iluminado, oferecendo sua primeira grande interpretação e sem precisar de muitas palavras para isso. Condensando todos esses elementos numa narrativa ágil e simples, Burton criou um conto de fadas que pode ser apreciado por crianças e adultos, sem distinção, e que jamais apela para a pieguice em busca de lições de moral. Ah, se todo filme fosse assim…

Os Fantasmas se Divertem


Anotação em 2008: Não sei como as pessoas classificam o estilo de Tim Burton, mas o que me ocorreu, logo depois de ver Beetlejuice pela primeira vez, numa sessão da tarde, 20 anos depois que o filme foi feito, é que o visual dele é surreal-psicodélico-gótico.
Pensei também que muito do sensacional visual dos dois MIBs, os Homens de Preto, vem deste filme aqui.
A história é uma imensa e deliciosa bobagem. Um jovem casal feliz, Adam e Barbara (Geena Davis e Alec Baldwin, jovens demais, com caras de bebês), sai de sua casinha feliz de carro para fazer compras na loja da pequeníssima cidadezinha em que vivem, em Connecticut, e na volta, para não atropelar um cachorro, cai no rio e morre.
Adam e Barbara reaparecem na sua casinha feliz para constatar o inevitável: sim, estão mortos. E pouco depois chega à casa deles uma família que acabou de comprar o imóvel; a família é absolutamente disfuncional, desagradável e doida: a mulher (Catherine O’Hara) se acha uma grande artista plástica, e a filha do marido, enteada da mulher, é uma adolescente dark, gótica, melancólica, entediadíssima, que pensa na morte quase todo o tempo – um papel perfeito para o talento de Winona Ryder, essa atriz extraordinária que já era ótima aos 17 anos.
A madrasta quer reformar inteiramente a casa – e o casal de mortos fará de tudo para assombrar, assustar, botar a família para correr. Sem qualquer sucesso.
O que importa é o visual fantástico, fascinante. Tim Burton cria figuras e ambientes absolutamente monstruosos, malucos, brilhantes, como a repartição pública onde os mortos vão pedir ajuda e assistência social. A mulher que vai cuidar do jovem casal, Juno (Sylvia Sidney), fuma e a fumaça sai por um gigantesco corte no pescoço dela. Uma mulher que espera sua vez tem o corpo dividido ao meio; alguns mortos têm o rosto do tamanho de uma bola de tênis. São dezenas, dezenas de criaturas com visual louquíssimo. Um corredor é completamente torto, exatamente como se tivesse saído de um quadro de Salvador Dalí, como Mary observou na hora.
É um visual que torna o de Poltergeist fichinha, brincadeira de criança.
E o personagem título, o Beetlejuice de Michael Keaton – um bio-exorcista, como ele mesmo se define – é um dos fantasmas mais pirados, mais doidos que já passaram pela tela.
Mas é Winona que rouba totalmente a cena, como a única viva que, por pensar tanto na morte, consegue ver os mortos Adam e Barbara, e se comunicar com eles. Winona dançando no ar e dublando Harry Belafonte em Jump in the Line (Shake, Shake, Señora), é espetacular.
(Aliás, o filme tem umas três ou quatro músicas de Belafonte, da época do calipso.)
Ah, sim: Mary reparou uma coisa ótima. A trama básica do filme – aqui levada no escracho, na brincadeira – é bem parecida com a de Os Outros/The Others, de Alejandro Amenábar, de 2001, um dos melhores, mais apavorantes filmes de terror que eu já vi.
Vou agora aos alfarrábios.
Foi o segundo longa-metragem dirigido por Tim Burton, depois de As Grandes Aventuras de Pee Wee/Pee Wee’s Big Adventure; em seguida ele faria Edward Mãos de Tesoura/Edward Scissorshands, também com a maravilhosa Winona, e depois os dois Batmans, de 1989 e 1992.
Foi o terceiro filme da carreira de Winona. Geena Davis havia estreado em
Tootsie, em 1982, e nos seis anos até este filme fez vários episódios de séries de TV e o papel feminino central da refilmagem de A Mosca/The Fly, de 1986.
O filme ganhou o Oscar de maquiagem – e o trabalho de maquiagem realmente é impressionante. Teve outros seis prêmios e oito indicações.

As grandes Aventuras de Pee Wee


Pee-Wee Herman (Paul Reubens) ama sua bicicleta. Porém, certo dia, ela é roubada. Ele parte então para a grande aventura de sua vida, viajando pelos Estados Unidos tentando reencontrar seu bem mais precioso. Muitos personagens bizarros aparecerão em seu caminho, mostrando que o diretor Tim Burton já possuía seu estilo especial desde o começo da carreira.