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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Origem

Quando se achava que as boas historias de ficção ciêntica estavam fadadas a filmagens de livros e contos de Philip K. Dick e Izaac Asimov, temos então um ótimo roteiro de ficção original de Christopher Nolan, com seu filme “A Origem”, que era o mais aguardado filme do ano.
Entre os bons filmes de ficção, sim, temos “Matrix”, que arrebatou público e crítica, que surpreendeu, encantou, mas que também se perdeu em suas continuações.Então chega Nolan, com uma história, que podemos até dizer que usa referências de Matrix, quando se fala em uma realidade paralela e a forma como é coloda, mas não, não vá esperando a mesma colocação, realização, afirmação, não vá esperando um outro “Matrix“.
“A Origem” consegue ser superior em vários pontos. Por mais ficção, por mais “viagem” que sejá o roteiro de Nolan, ele nos permite essa viagem por pura e simplesmente se utilizar de um espaço onde tudo pode. Os nossos sonhos. Neles, podemos voar, matar, morrer, e até criar cidades inteiras, e mesmo estar ao lado de pessoas que já se foram. Nos sonhos, como já afirmei, tudo pode. E é aí que Nolan acerta em cheio.
A historia, é complicada, pelo menos inicialmente. Não há como negar. Mas o roteiro de Nolan é também um clássico. Sabe aquela historia do “grande assalto”, que parece que já vimos em algum lugar? Pois é, é um pouco assim também. Mas então o roteiro nos prêmia com uma novata, a Adiadne, vivida por Ellen Page, que não conhece a estrutura e aprende, junto com o espectador, tudo que que acontece na “viagem” do roteirista.
O diretor, Christopher Nolan, rege o filme com maestria. Realmente, sua filmografia (Amnésia, Batman – Beggins,
Batman-O Cavaleiro das Trevas ) tem provado que já pode ser colocado como um dos maiores diretores de sua geração. Ainda mais quando falamos, de um diretor essencialmente Hollywoodiano, podemos afirmar que sim, pode existir vida inteligente nos “blockbusters”.
Assim foi falado quando vimos Batman, tanto o Beggins quando o Cavaleiro das Trevas, e o mesmo repetimos agora. Nolan consegue agradar o público médio, e sim, o que espera um cinema acima da média.
Todos grandes efeitos visuais de seu filme de nada seviriam sem o roteiro bem amarrado, sem as interpretações grandiosas de seus atores. Outro ponto forte em seus filmes, é a direção de atores. Leonardo Di Caprio está aqui em um de seus melhores papeis, Marion Cotillard aparece menos do que gostariamos, mas sempre rouba a cena pra ela em suas aparições, temos ainda Ellen Page e Joseph Gordon Levitt com interpretações inesquecíveis. E mais um presente, Michael Caine, que mesmo com um pequeno personagem, mais uma vez, nos presenteia com sua presença forte e em um personagem pequeno, mas de grande importancia no filme.

Realmente, o elenco é um dos pontos mais fortes do filme. E é aí a grande sacada de Nolan, ao se preocupar essencialmente no roteiro, mesmo em um filme para o grande público. E ainda, com um elenco bem trabalhado, bem afinado, é meio caminho andado para filme de sucesso.
Porém as qualidades do filme não param por aí. Roteiro, como já foi citado, e os efeitos visuais que impressionam. São, apesar como em um sonho, são trabalhados para realmente acreditarmos neles. Parece que realmente vemos uma grande cidade se acabando com o vento, ou um trem passando no meio da cidade, ou qualquer coisa que o diretor nos coloca. Ele convence.
Então chegamos a mais um ponto, que aqui, foi fundamental para o clima do filme. Ou porque não falar de climax, que dura um terço do filme. O rítmo do filme, já alucinante, durante o ”grande golpe” é elevado ao quadrado. E a música de Hans Zimmer casado com as imagens de Nolan deixam nosso coração apertado, acelerado, enfim, nos deixam extasiados. Mais uma grande trilha sonora desse que é um Alemão, que hoje radicado nos EUA, é um dos melhores e mais solicitados compositores de Hollywood.
E mais uma vez, temos aqui, em “A Origem”, um cinema, por mais blockbuster que seja, é um cinema de autor. Nolan é além de roteirista e diretor, produtor de seu filme. O que lhe dá total comando em sua obra. Citando então o grande crítico Luiz Carlos Mertem eu comemoro com ele “E viva o cinemão de autor”
“A Origem” é um desses filmes, que assistimos e levamos pra casa. Pensamos, conversamos sobre ele, e ele passa semanas nos fazendo companhia. É um desses filmes que nos deixa extasiados no cinema, que dá vontade de rever, e logo, ainda no cinema. Pois o bom cinema é assim. E a experiência de um bom filme, em uma boa sala de cinema é insubistituível.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Origem


Confira o novo cartaz de A Origem
Desta vez o pôster não é um genérico de O Cavaleiro das Trevas...
22/12/2009Marcelo Hessel
A Origem (Inception), o novo longa-metragem de Christopher Nolan, o diretor de Batman - O Cavaleiro das Trevas, acaba de ganhar o seu segundo pôster. Desta vez não é um genérico das artes do Batman.
Veja, ampliado, na galeria.
Leonardo DiCaprio, Marion Cotillard, Ellen Page, Cillian Murphy, Joseph Gordon-Levitt, Ken Watanabe e Michael Caine estão no elenco. O projeto, cuja trama é mantido em segredo, é descrito como um filme de ação e ficção científica que acontece no interior da arquitetura da mente.
A estreia é prevista para 16 de julho de 2010.
Harry Potterices e Crepusculices a parte, com o trailer abaixo surge o filme mais aguardado de 2010! Não tem como ver as imagens de A Origem e ouvir a narração de Leonardo DiCaprio e não ser remetido há 10 anos, quando Matrix foi lançado.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um Crime Americano


Diretor investiga assombrosa história real de sua cidade natal
Érico Borgo/Omelete
É curioso como Hollywood, sempre em busca de chocantes histórias reais para retratar, levou mais de quatro décadas para levar o caso de Sylvia Likens às telas. Nele, em 1965, um casal que trabalhava no circuito das feiras de parques de diversão, visando uma certa ordem na vida de suas duas filhas, deixou as meninas aos cuidados de Gertrude Baniszewski, uma passadeira de roupas e mãe de sete.
Um mês depois de receber em sua casa Sylvia e sua irmã Jenny em troca de um cheque semanal de 20 dólares, Gertrude começou a abusar das meninas. O primeiro espancamento aconteceu quando o cheque atrasou dois dias. O segundo por uma acusação de roubo. O terceiro por Sylvia ter supostamente espalhado boatos sobre a filha mais velha de Baniszewski... O quarto, o quinto... não importa. A violência já estava fora de controle.
O diretor Tommy O´Haver cresceu na mesma Indianápolis onde o caso aconteceu. Depois de fazer seu nome em filminhos adolescentes e inofensivos como
Uma Garota Encantada, escolheu a tenebrosa história real como seu primeiro longa-metragem "sério". Para tanto, empregou em Um Crime Americano (An American Crime, 2007) uma interessante estrutura que dá fundamento à trama: alternou seqüências de tribunal - nas quais todo o diálogo foi extraído dos autos do processo - com cenas que dramatizam os fatos. A alternância tem alguns truques inteligentes, que impedem quem nunca ouviu falar da história de adivinhar o destino das personagens.
O cineasta teve especial cuidado com o teor do filme, que facilmente escorregaria para um "torture porn" dramático, já que Sylvia, nua e acorrentada, era habitualmente espancada, torturada e submetida a atrocidades que reviram o estômago. Optou então por não mostrar ou sequer insinuar os maiores sofrimentos, mantendo a talentosa e corajosa atriz
Ellen Page (Juno, Menina Má.com) vestida o tempo todo. Enfim, O´Haver deu à menina a maior dignidade possível perante a situação.
Houve também atenção especial na caracterização, o que irritou alguns. Catherine Keener (
Na Natureza Selvagem, Capote), muito bem num papel completamente oposto do tipo que costuma fazer, não é feia como a protagonista da história. A personagem também teve seus defeitos mais óbvios e passíveis de preconceito imediato minimizados, como o vício em heroína. Se Gertrude Baniszewski fosse mostrada como era de verdade a dramaturgia já começaria prejudicada. Coube a Keener desenvolver a personagem e transformá-la aos poucos em um monstro digno de pena.
Chocado com a história, O´Haver investiga, busca alguma lógica no caso. Também oferece como pode algum conforto - um final feliz? - à devastada menina de 16 anos que sofreu o inferno na casa dos Baniszewski. No processo, também encara as próprias assombrações de sua juventude
.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Juno

Teen movie é um drama raro, que olha a adolescência como ela é, e não como os adultos imaginam que ela seja
Por: Rodrigo Carreiro

Todo cinéfilo sabe que os grandes estúdios de Hollywood têm dificuldades históricas para fazer bons filmes adolescentes. Não é preciso ser grande conhecedor de cinema para entender o motivo. A maior parte dos artistas que trabalham na indústria do entretenimento, incluindo diretores e roteiristas, está muito acima da casa dos 30 anos. Pertencem, portanto, a gerações diferentes daquela que devem retratar. Para fazê-lo, por mais que tenham boa vontade, acabam recorrendo a estereótipos. O resultado é uma enxurrada de filmes bobos e cheios de clichês. “Juno” (EUA/Canadá, 2007) é uma rara e feliz exceção. O filme constrói um painel rico e excentricamente moderno de um tema difícil – a gravidez adolescente – e traça retrato acurado de uma geração que, até bem pouco tempo, ainda não havia sido bem representada em filmes de massa.
Mérito, em grande parte, do diretor Jason Reitman (“
Obrigado por Fumar”), e não apenas porque ele tinha 29 anos quando iniciou as filmagens – jovem o suficiente para entender as pessoas que iria retratar. O mérito de Reitman foi reconhecer talento no trabalho de uma roteirista amadora. Ou melhor, uma ex-stripper, blogueira e festeira de carteirinha que um dia se meteu a escrever um roteiro. Foi uma ousadia dele. A garota, que assina o texto com o pseudônimo Diablo Cody, tinha só 25 anos quando escreveu a saga em tom menor de uma garota de 16 anos que engravida acidentalmente, após a primeira relação sexual, e decide levar em frente a gestação (“bebês de dois meses têm unhas!”). Cody faz o tipo “21th Century Girl”, simultaneamente fofinha e durona – tatuagens de Betty Boop, franjas excêntricas, minissaias coloridas e botas de cano alto, pele mantida orgulhosamente alva por uma vida noturna agitada, e fã de Wes Anderson. Ela se mudou para a Califórnia para morar com o namorado que conheceu em bate-papos na Internet, e conheceu Jason Reitman por lá.
O que tudo isso quer dizer? Que Diablo Cody não é uma profissional de Hollywood. Para um profissional do ramo, escrever sobre adolescentes ou sobre uma tribo de canibais africanos seria a mesma coisa. Mas quando Cody sentou para escrever o roteiro de um filme jovem, não estava trabalhando em material puramente ficcional, por obrigação. Estava transportando material que havia vivido e observado para criar ficção sobre uma base real. “Juno” é o primeiro roteiro assinado por ela. Não é surpresa que o texto alimente um desprezo relativo – e saudável – pelas regras clássicas de uma narrativa cinematográfica. O objetivo de Cody não era criar um “filme para adolescentes”, mas uma história em que sua própria geração se reconhecesse. Já que não havia ninguém fazendo isso em Hollywood, ora, ela mesma poderia fazer, certo?
Vem daí a multifacetada e meticulosa composição de personagens. A protagonista, menina de personalidade forte e senso de humor peculiar, esperto e meio mórbido, faz o gênero “futura riot girl”: paredes do quarto forrada de fotos de homens mais velhos, fã de punk rock, acha que 1977 foi o melhor ano da história do rock’n’roll. Parte de Juno continua criança, como provam as bonecas nas prateleiras do quarto e o telefone em forma de hambúrguer, mas ela entende que é hora de crescer. Por isso, toma a decisão de perder a virgindade. Quem melhor para fazer isso do que o melhor amigo, um garoto tímido, magricela e fã de Tic Tac de laranja? Num teen movie comum, Bleeker (Michael Cera) seria saco de pancadas dos valentões da escola, mas não neste filme. A abordagem do diretor Jason Reitman é carinhosa e delicada. “Juno” foi feito por freaks para freaks.
Filmado por apenas US$ 7,5 milhões, o longa se encaixa perfeitamente no estilo de filmes fofinhos, que provoca chiliques no público alternativo do Festival de Sundance. Seria, por equivalência, o correspondente a “
Pequena Miss Sunshine” na safra 2007. A diferença entre os dois títulos, porém, é abissal. Ao contrário do outro, “Juno” tem personalidade própria. Não recorre a fórmulas narrativas e não tenta dar lição de moral – aliás, quem diria que um filme distribuído pela conservadora Fox trataria uma gravidez adolescente de forma tão surpreendente, e ainda por cima exibindo um final tão esquisito e incomum? Além disso, o filme capta com perfeição o senso de hedonismo da juventude contemporânea, aquela idéia não-verbal de que o universo deve girar torno de você, e que não vale a pena desviar a atenção dos prazeres da vida com nada. Você entende o espírito.
Com todas as virtudes computadas, também não é um filme perfeito. Longe disso. Um dos maiores problemas está na direção de arte excessiva, poluída e com influência acentuada dos filmes do diretor Wes Anderson (a lista dos dez DVDs preferidos da roteirista Diablo Cody inclui “Os Excêntricos Tenenbaums”). Basta reparar na vestimenta que Bleeker utiliza para fazer educação física na escola – qual o colégio que usaria um fardamento exótico e colorido como aquele? Além disso, se o filme acerta na composição dos personagens adolescentes, por outro lado erra feio no que diz respeito aos adultos – exceção feita ao personagem Mark (Jason Bateman), que é na verdade um adolescente preso no corpo de um cara de 30 anos. Um exemplo? Quando ficam sabendo sobre a gravidez, os pais de Juno tomam uma atitude não apenas irresponsável, mas surreal, especialmente para uma família cuja madastra chora durante uma ultrassonografia.
A trilha sonora folk, com quantidade generosa de música acústica, ajuda a aproximar “Juno” de obras como “
Ensina-me a Viver” (1971), de Hal Ashby, cuja atmosfera agridoce é idêntica. De fato, o número de canções soa excessivo, mas a música funciona, pois tem uma qualidade de rascunho melódico que casa bem com a idéia de um filme sobre uma personalidade em construção. Como se tudo isso não bastasse, o elenco está ótimo. A jovem Ellen Page tem a fragilidade e o tom decidido da personagem-título, demonstrando mais uma vez (“MeninaMá.com”) que está no caminho certo para se tornar uma das grandes atrizes de sua geração. Jason Bateman mostra química impecável com a protagonista, e Jennifer Garner não compromete. Michael Cera meio que repete o mesmo personagem de “Superbad” (2007), mas a participação é pequena e por isso o que poderia ser um problema se torna um dado positivo, já que após o grande sucesso do filme de Greg Mottola, fica fácil para o público vê-lo na pele do jovem confuso e apaixonado que não sabe como verbalizar os sentimentos.
O sucesso de “Juno” nas bilheterias norte-americanas – arrecadação superior a US$ 80 milhões, mesmo após um lançamento discreto que ocupava apenas salas periféricas e alternativas – assinala um momento especial para o gênero teen, dentro dos grandes estúdios. Afinal de contas, a safra de 2007 trouxe títulos anormais, como o ótimo e já citado “Superbad”, que lançam um olhar de igual para igual aos adolescentes. “Juno” se encaixa perfeitamente dentro desta nova tendência, e o sucesso alcançado na temporada de prêmios, até mesmo com indicação ao Oscar de melhor filme, faz do filme de Jason Reitman uma espécie de ponta-de-lança deste movimento. No fim das contas, os defeitos de “Juno” importam menos do que a vontade palpável de observar a adolescência como ela é, e não como os adultos imaginam que ela seja.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Menina Má.Com


Thriller sobre pedofilia é cheio de tensão e atmosfera angustiante, com apenas dois bons atores e muita criatividade
Por: Rodrigo Carreiro

Longa-metragem de estréia de David Slade, “MeninaMá.Com” (Hard Candy, EUA, 2005) aborda um dos fenômenos mais negativos surgidos a partir da explosão de popularidade da Internet: a invasão crescente da rede de computadores por pedófilos. Todos nós sabemos que adultos mal-intencionados se aproveitam do relativo anonimato proporcionado pela Web para se aproximar de crianças ou adolescentes sem despertar maiores suspeitas. Partindo desta situação infelizmente verdadeira, Slade criou um thriller cheio de tensão e atmosfera angustiante, com apenas dois bons atores e muita criatividade.
O filme abre com um longo plano sem cortes que serve como exemplo de originalidade na apresentação de personagens. A tomada mostra apenas uma tela de bate-papo on-line. Duas pessoas estão conversando. Acompanhando o teor da conversa, a platéia fica sabendo que elas estão flertando e combinando um primeiro encontro ao vivo, em carne e osso. O detalhe importante está nos ícones que representam cada uma das pessoas: sabemos de imediato que uma delas é um homem adulto, que se apresenta como fotógrafo, enquanto a outra não passa de uma criança de 14 anos apaixonada por ele.
É uma ótima cena. Até aqui, a câmera mostrou apenas uma tela de computador, e mesmo assim a platéia já está sob tensão, pois sabe que vai testemunhar a desagradável ação de um pedófilo. Também já conhecemos os dois personagens, embora não tenhamos visto nenhum deles ainda. David Slate se preocupa com detalhes, e providencia que o público não veja os rostos de Hayley (Ellen Page) e Jeff (Patrick Wilson) antes que eles próprios se encarem. Neste primeiro encontro, a frágil Helen usa um capuz que permite ao público uma associação instantânea com o personagem Chapeuzinho Vermelho. Jeff, que se esconde atrás de um par de óculos e barba por fazer, é o Lobo Mau. O melhor de tudo é que o filme não grita a informação, apenas a indica visualmente.
Bem, mas as aparências enganam, como os instantes seguintes vão comprovar. A atirada Hayley se convida para ouvir música na casa do fotógrafo. Ele hesita, desconversa (ou finge fazer isso) e acaba concordando, mas garante que não passará dos limites (“tenho que esperar mais quatro anos por você”). Está claramente excitado com a situação, tanto que não esboça reação quando a menina recusa o copo d’água que ele oferece e se serve de suco de laranja com vodca. Eles batem papo, ouvem música, e não demora muito para que Hayley esteja posando quase sem roupa para Jeff. Tudo isso acontece em apenas 10 minutos de filme – e daí em diante a história toma um rumo completamente inesperado, seguindo uma trama cheia de tensão, em que os papéis de vítima e agressor nunca ficam completamente claros.
Como durante quase todo o tempo há apenas duas pessoas em cena, a escalação do elenco torna-se crucial para que o longa funcione. Pois bem: “MeninaMá.Com” mostra-se, ao longo da projeção, um dos melhores filmes de atores de 2005, com duas atuações absolutamente sensacionais. Ellen Page (a Kitty Pride de “
X-Men 3”) dá um verdadeiro show como Hayley, um lobo em pele de cordeiro. A pele alva, os cabelos curtos, a baixa estatura e o jeito meigo de falar compõem uma figura frágil, que aos poucos se revela bem diferente do ser indefeso que a aparência denuncia. Já Patrick Wilson (“O Fantasma da Ópera”) assume perfeitamente o caráter cafajeste de passado misterioso que o personagem exige, com a ajuda de um figurino bem montado, com óculos e barba parecendo indicar que há uma ameaça indefinível por trás daqueles olhares gulosos que lança à menina.
É admirável observar a maneira como a narrativa mantém a tensão crescente durante toda a duração do filme. Apesar de haver apenas duas pessoas em cena e durar quase duas horas, “MeninaMá.Com” jamais perde o rumo, e mantém o espectador grudado na cadeira o tempo todo, incluindo uma ou duas longas seqüências verdadeiramente perturbadoras. David Slade consegue esta proeza com a ajuda do roteiro denso de Brian Nelson, cujo maior destaque está na boa qualidade dos diálogos. O cineasta mantém algumas cartas escondidas na manga e vai liberando informações a conta-gotas (o motivo para Hayley tomar certas atitudes, a reação enigmática de Jeff), de forma que somente já perto do final a platéia consegue contemplar o quadro inteiro e compreender as motivações de cada personagem.
Além disso, as soluções visuais utilizadas para contar a história são baratas e eficientes. Slade abusa de planos fechados e close ups, o que se revela duplamente correto. Ao mesmo tempo em que os enquadramentos apertados tornam a narrativa mais claustrofóbica, mais angustiante, a ênfase nos rostos realça a boa atuação dos dois atores, algo que é fundamental num filme em que os olhares revelam, quase sempre, alguma intenção escondida por trás das palavras. Saber que o diretor levou apenas 18 dias para filmar todo o longa-metragem é uma demonstração clara de que ele sabia o resultado que queria obter, e teve sucesso na empreitada.
Se há um defeito em “MeninaMá.Com”, está no fato de que a trama não se sustenta bem quando vista em retrospectiva. Muitas das ações dos personagens, em especial da pequena Hayley, parecem imprudentes, até mesmo impensadas, diante das circunstâncias em que ocorrem (em circunstâncias normais, seria impossível aceitar a veracidade dos dois telefonemas que ela dá, em certo momento). É preciso lembrar, porém, que o filme é um melodrama – e, nas palavras do veterano diretor
Sidney Lumet, um bom melodrama precisa “tornar plausível o implausível”, ou fazer o inacreditável parecer possível. No fim das contas, “MeninaMá.Com” atinge este objetivo com pleno êxito. A lamentar, apenas, o imbecil título nacional, que passa uma idéia completamente equivocada sobre o conteúdo de um thriller instigante que dá o que pensar.
http://www.cinereporter.com.br/dvd/menina-ma-com/

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Garota Fantástica


Fox Independent estréia a comédia "Whip It", que marca a estréia da atriz e produtora Drew Barrymore na direção. A trama gira em torno de uma garota com problemas de adaptação com a nova vizinhança e entra para uma equipe de patins.