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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Homem De Ferro
História é convencional, mas não subestima a inteligência do público, possui bons atores, subtexto político, humor e ação realistaPor: Rodrigo Carreiro
As adaptações cinematográficas de revistas em quadrinhos são, neste princípio de século XXI, a galinha dos ovos de ouro da indústria do entretenimento nos Estados Unidos. Enquanto o cinema sofre com a concorrência de games cada vez mais realistas e com a pirataria, fatores que roubam o público das salas de projeção, heróis e vilões oriundos dos gibis continuam mexendo com as emoções de milhões de fãs. Não foi por outro motivo que a Marvel, editora que detém os direitos da maior galeria de personagens do gênero, decidiu dar um ambicioso passo adiante e se lançar como estúdio de cinema. A decisão significou arcar sozinha com os custos milionários dos longas-metragens com peças do seu elenco envolvidas, mas por outro lado possibilitou à empresa colher fatias bem mais largas dos lucros extraordinários amealhados por estas produções.
“Homem de Ferro” (Iron Man, EUA, 2008) marca a entrada triunfal da Marvel no território até então dominado por Sony (Homem-Aranha, Motoqueiro Fantasma), Fox (Quarteto Fantástico, X-Men) e Universal (Hulk) – desta vez, a Paramount cuida da distribuição, mas só isso. A escolha do personagem para o passo adiante da empresa era uma escolha lógica. Apesar de menos conhecido pelo público leigo, o gigante de armadura vermelha e amarela, criado em 1963, possui séquito fiel de admiradores e se encaixa à perfeição no perfil dos heróis de ação mais amados da atualidade. O empresário Tony Stark é um homem imperfeito, que equilibra qualidades e defeitos. É gênio da tecnologia, patriota e honesto, mas leva um estilo de vida excêntrico e irresponsável, regado a bebidas, mulheres e declarações tão francas quanto polêmicas.
Seguidores de filmes de ação com super-heróis mascarados vão notar, sem dúvida, a semelhança com o Batman, herói-ícone da DC Comics, maior rival da Marvel. Esta semelhança não é mera coincidência. Criado por Stan Lee, Tony Stark é mesmo uma variação do Homem-Morcego de Bob Kane. Também nasceu em berço de ouro e parece, aos olhos do público, um playboy perdulário, embora seja muito mais altruísta do que se pensa. Além disso, a franquia do Batman (rejuvenescida por Christopher Nolan em 2005, após quatro longas-metragens anteriores) foi influência decisiva no Homem de Ferro moldado pelo diretor Jon Favreau, com a ajuda de quatro roteiristas experientes. O realismo de “Batman Begins” reaparece com uma roupagem mais bem-humorada e luminosa.
Aqui, o herói não parece imortal e invencível. Ele é desajeitado no treinamento para operar o traje especial e fica perto da morte várias vezes. O tratamento dado à tecnologia também finca um pé firme na realidade, sem os disparates inconseqüentes de bobagens como “Quarteto Fantástico”. As armas de guerra e traquitanas tecnológicas criadas por Stark poderiam, tranqüilamente, existir no lado de cá da tela. A outra influência importante na criação de “Homem de Ferro” vem da mais bem-sucedida cria da Marvel nos cinemas, o Homem-Aranha. O primeiro filme da franquia do aracnídeo, criado por Sam Raimi em 2002, não é um paradigma do gênero por acaso. Depois dele, virtualmente todos os filmes com personagens de quadrinhos (inclusive o já citado “Batman Begins”) se sentiram na obrigação de investir, com minúcias, no nascimento do herói, decicando-se com afinco à composição de um personagem consistente.
Não há dúvidas de que “Homem de Ferro” é um filme construído sobre uma fórmulas. O esqueleto narrativo da trama segue, passo a passo, o mesmo caminho escolhido por Raimi. Não há qualquer inovação. A primeira metade esmera-se em mostrar a origem do Homem de Ferro, inserindo o personagem dentro de um contexto (inclusive político, com referências à ação norte-americana no Oriente Médio, uma novidade dentro do gênero) e criando, em torno dele, uma galeria de indivíduos com quem vai estabelecer relações mais ou menos amistosas. Na segunda metade, concentra-se em apresentar o vilão (Jeff Bridges) e colocar ambos em rota de colisão, além de criar um interesse amoroso (Gwyneth Paltrow). Jon Favreau faz isso com competência, embora sem os toques autorais de Raimi e Nolan, cineastas superiores no quesito visual e na complexidade com que tratam os personagens. O diretor pontua a trama com seqüências de ação vibrantes (o clímax parece muito com “Transformers”, de 2007), e usa o humor como elemento de empatia entre protagonista e audiência.
Neste último ponto, Favreau tem a ajuda inestimável de um dos pontos fortes de “Homem de Ferro”: o ator Robert Downey Jr. A escalação do astro no papel do personagem-título foi um lance de arrojo do cineasta, e acabou se mostrando o maior acerto dele. Downey Jr parece inteiramente à vontade no papel. Sua expressão cínica, bem como a capacidade de disparar diálogos rápidos e cheios de segundas intenções com naturalidade, acentua ainda mais o humor naturalmente presente no roteiro (“Tecnicamente houve um conflito de agenda com a capa de maio, mas sorte que em dezembro a capa eram gêmeas”, responde ela, divertido, à pergunta sobre o boato de que havia levado para a cama todas as últimas doze garotas da capa de certa revista masculina).
Ajuda muito, também, que a persona pública de Robert Downey Jr reforce a personalidade criada pelos roteiristas para o homem por dentro da armadura. Como se sabe, o ator viveu um drama pessoal (e muito público) durante nove anos, desde 1996. Alcoólatra, viciado em crack e cocaína, passou duas longas temporadas na prisão e andou desempregado por muito tempo. Foi dado como caso perdido por muita gente, mesmo por aqueles que nunca duvidaram de seu talento inegável. Ele já vinha ensaiando uma volta por cima (em filmes elogiados como “O Homem Duplo” e “Zodíaco”), e aqui se transforma em Tony Stark de corpo e alma. O filme não aborda diretamente, por exemplo, o alcoolismo do personagem, mas o passado do ator se alia às várias cenas em que o vemos de copo na mão para lembrar o público que este é um assunto a ser explorado em filmes futuros da franquia.
Como de hábito nos filmes de super-heróis, “Homem de Ferro” foi planejado como uma trilogia. Pensando nisso, Favreau tratou de utilizar uma estratégia já aprovada em séries como “X-Men” e “Homem-Aranha”, tratrando de espalhar pontas soltas e personagens secundários que, no futuro, podem se tornar aliados ou antagonistas poderosos, caso do militar boa-praça interpretado por Terrence Howard. Numa prova de ambição e audácia da Marvel, “Homem de Ferro” também é o primeiro elo plantado pelo novo estúdio para realizar, num futuro de médio prazo, um encontro de vários super-heróis da franquia, num filme de Os Vingadores (espécie de Liga da Justiça da Marvel), reunindo poderosos como Capitão América, Thor e Namor. Vem daí a insistente aparição de agentes secretos de uma organização governamental chamada S.H.I.E.L.D. Quem conhece os quadrinhos sabe que a agência serve como elo de ligação entre todos os heróis da Marvel. O novo “Hulk” (2008), por exemplo, já traz uma cena em que Robert Downey Jr reaparece como Tony Stark.
Dá para notar, por tudo isso, que os planos do novo estúdio não se resumem a um filme ou outro, mas vão muito além – e incluem se estabelecer como uma nova e poderosa força no mapa do poder de Hollywood. Não dá para negar, aliás, que até mesmo a escolha do diretor de “Homem de Ferro” faz parte de uma estratégia empresarial bem definida. Afinal, a Marvel já aprendeu, com o “Hulk” de Ang Lee (o mais subestimado de todos os longas-metragem oriundos de quadrinhos desde, talvez, “O Corvo”), que dar corda à visão de cineastas autorais não é, comercialmente, uma atitude inteligente. Considerando tudo isso, é fácil perceber que “Homem de Ferro” é exatamente o filme de super-heróis que o estúdio deseja. Tem uma história convencional que não subestima a inteligência do público, é povoada de bons atores, inclui subtexto com molho político (sem excessos), e amarra tudo seqüências de ação realistas. Não vai mudar o mundo, mas diverte.
http://www.cinereporter.com.br/dvd/homem-de-ferro/
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Beijos e Tiros
Shane Black brinca com clichês noir em filme repleto de metalinguagem que não se leva a sérioPor: Rodrigo Carreiro
A metalinguagem e a auto-paródia são dois dos truques mais certeiros que os cineastas utilizam, atualmente, para dar uma roupagem jovem a gêneros antigos, como o filme policial. Mostrar duplas de detetives investigando casos complicados é algo que remonta há décadas, e filmes desse tipo exigem um tempero especial para chamar a atenção. Essas foram as duas armas escolhidas pelo roteirista famoso Shane Black, para retirar sua estréia na direção do lugar comum. Apesar de a tática já começar a dar sinais de envelhecimento (afinal, desde que “Pulp Fiction” as transformou em novidade, já se vai mais de uma década), “Beijos e Tiros” (Kiss Kiss Bang Bang, EUA, 2005) funciona bem. Trata-se de uma comédia policial que se assume como filme desde o primeiro minuto, jamais se leva a sério e brinca com clichês do gênero com base em um arsenal superior de piadas e diálogos.
Shane Black construiu o enredo de “Beijos e Tiros” a partir dos elementos recorrentes do cinema noir. Há um detetive (nesse caso, um arremedo de detetive) de índole amoral, uma mulher fatal, a noite de Los Angeles como ambiente da trama e uma narração em off repleta de ironia. A opção do diretor, porém, não foi de homenagear o gênero realizando uma paródia em tom sério, a exemplo de “Chinatown” (1974) e mesmo “Sin City” (2005). A idéia era fazer um pastiche, ou seja, uma sátira debochada, que pegasse essas características do noir e as distorcesse, banhando-as com uma roupagem nova. O verniz de atualidade foi conseguido justamente agregando ao filme as duas características citadas no início do texto.
A atualização do noir fica evidente quase se presta atenção na narração em off. A presença de um narrador que pontua a história com comentários cínicos sempre foi um dos mais fortes traços estéticos do cinema noir, e em “Beijos e Tiros” ela irônica, mas diferente. O narrador, que é o ladrão Harry Lockhart (Robert Downey Jr), avisa desde a primeira cena que está narrando um filme, e se dirige diretamente à platéia inúmeras vezes. Ele utiliza um tom coloquial para comentar não exatamente a história, mas o filme feito a partir da história (sacou?). Ele atua inclusive como projecionista, chegando a parar e rebobinar a fita. Um dos momentos em que essa estratégia metalingüística funciona melhor aparece na última cena, quando o narrador brinca com a noção de final feliz típica de Hollywood e ordena que todos os personagens mortos durante o filme voltem, o que por um instante até acontece (nessa cena, até Elvis Presley aparece por lá).
Este é o tipo de humor cínico de “Beijos e Tiros”. E ele funciona, mesmo parecendo exagerado e histérico em alguns momentos (“Nós não somos tira bom e tira mau, somos nova-iorquino e bicha”, diz em certo instante o personagem de Val Kilmer). Cenas como esta são raras, já que a maior parte delas acerta em cheio no senso de humor auto-depreciativo. O filme ainda se beneficia da mão certeira de Shane Black para cenas que mesclem comédia com aventura dramática de alto calibre. O melhor momento, por sinal, é uma dessas interseções de gênero: trata-se do instante em que Harry Lockhart mata uma pessoa pela primeira vez. A seqüência começa cômica, tem uma cena de ação de alta voltagem, flerta com a tragédia e descamba de novo para a comédia, tudo em poucos minutos.
Como se trata de um pastiche, “Beijos e Tiros” tem uma história construída sobre uma colagem de clichês, que pode ser resumida assim: ladrão de aparelhos eletrônicos (Downey Jr) é perseguido pela polícia e invade por engano um teste para atores numa produção de Hollywood, acabando por ser contratado para interpretar um detetive. Para isso, precisa passar por um laboratório com um verdadeiro detetive, um homossexual chamado Gay Perry (Val Kilmer) que trabalha como consultor do estúdio em questão. Juntos, os dois acabam se envolvendo involuntariamente em uma série de assassinatos de mulheres que podem, ou não, estar conectados.
Como todo bom detetive noir, Harry Lockhart é falastrão e amoral. Também possui um senso de humor corrosivo que não poupa nem a si mesmo (“Seu pai te amava, Harry?”, pergunta o amigo Perry, a certa altura; “Às vezes, quando eu me vestia de garrafa”, responde ele). Mas Harry também é burro como uma porta, e tem uma espécie de ímã para atrair confusão. O filme é dividido em cinco “capítulos”, e todos receberam títulos retirados de contos de Raymond Chandler, o mais famoso dos romancistas noir. A quantidade de referências ao estilo noir, tanto em termos literários como cinematográficos, é grande.
A trama do longa-metragem é meio complicada, mas isso é o que menos importa; o grande truque para curtir “Beijos e Tiros” é encará-lo não como filme policial, mas como comédia despretensiosa que brinca com os clichês do gênero noir. A dica é acompanhar os diálogos e situações impagáveis (Harry tem um dos dedos da mão esquerda arrancado duas vezes na mesma noite) sem dar muita bola para detalhes como construção de personagem e coerência lógica. Visto dessa maneira, “Beijos e Tiros” é diversão garantida.
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sábado, 21 de novembro de 2009
O Solista

Filme paternalista chama atenção para o drama de um gênio incompreendido: o jornalista
Marcelo Hessel/Omelete
O Solista começa de madrugada. O jornalista Steve Lopez (Robert Downey Jr.) sai de casa para andar de bicicleta, ao mesmo tempo em que a picape de distribuição de jornais começa a circular por Los Angeles. Os cortes cruzados dão a impressão de que a picape vai acabar atropelando o ciclista, mas isso não acontece.
O personagem que dá nome ao filme - e cuja história real, contada por Lopez em sua coluna no jornal Los Angeles Times, serve de base a O Solista - surge dias depois, tocando violino aos pés de uma estátua de Ludwig van Beethoven. Nathaniel Anthony Ayers Jr. (Jamie Foxx) mora na rua, mas já foi aluno da prestigiada escola de arte Julliard. Quem descobre isso é Lopez, e logo toda a cidade descobre Nathaniel também.
Acompanhamos flashbacks com o passado do músico mais por uma questão de protocolo - é o lado clínico de O Solista aflorando, para nos mostrar com ciência e em detalhes como sofre uma pessoa com esquizofrenia, como é o caso de Nathaniel. Mas o que interessa de verdade ao filme é Steve Lopez. O solista de fato é ele, o jornalista, dedilhando o seu "dom em extinção" para uma platéia desatenta, o povo de Los Angeles.
Repare, antes de mais nada, como o diretor Joe Wright (Desejo e Reparação) emparelha a genialidade de Nathaniel ao ofício de Lopez. São dois solitários - um trocou a família pelas ruas, outro chega em casa e não há mensagens na secretária eletrônica. São dois obcecados - um trabalha sozinho no jornal até altas horas, o outro toca o próprio braço como se fosse um violoncelo - e essa obsessão os impede de executar qualquer outra coisa. Nathaniel toca as sinfonias de Beethoven de cabeça mas não consegue terminar sentenças. Lopez escreve muito bem, mas mal consegue acertar o potinho para o teste de urina.
Acima de tudo, Lopez e Nathaniel são solistas porque parecem ser os últimos de suas espécies. Outro instrumentista que aparece no filme coloca a sua religião acima da música, e Nathaniel vê na música um meio e um fim. Já Lopez resiste em meio a uma imprensa em mutação, inconformado que Lindsay Lohan ainda seja notícia, assistindo às demissões em massa de seus amigos de LA Times.
É de um proselitismo atroz essa primeira metade de O Solista, com a mão pesada de Wright tratando jornalismo como arte para poucos e a cidade como uma orquestra, fazendo pombas voar sobre as vias sinfônicas de Los Angeles, conclamando todos a olhar para o "Katrina de cada dia", os miseráveis que dormem na rua mas têm, cada um, a sua bandeira dos EUA - como o diretor nos mostra com planos grandiloquentes de grua.
O paternalismo que segue até o fim do filme, pontuado pelo overacting dos protagonistas, pode convencer muito espectador de coração bom, mas não se engane com a aparente benevolência: o drama de Nathaniel só existe, no fim das contas, para elevar o drama "maior" de Lopez. Porque o jornalista foi, sim, metaforicamente, atropelado pela picape dos jornaleiros, e filmes como O Solista tentam estender a mão a esse tipo em crise existencial, carente de socorro ou pelo menos de atenção.
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domingo, 27 de setembro de 2009
Sherlock Holmes

Filme de ação que Guy Ritchie dirige para a Warner Bros com Robert Downey Jr., Jude Law e Rachel McAdams no elenco principal.
O filme é baseado na inédita HQ de Lionel Wigram intitulada Sherlock Holmes. A visão de Wigram elimina algumas frescuras vitorianas e enfoca mais na ação, inclusive com elementos presentes nos primeiros textos de Arthur Conan Doyle com o personagem, como sua habilidade no boxe e na esgrima.
“Sherlock Holmes”, um dos primeiros candidatos a blockbuster a estrear em 2010, é um filme muito gostoso de ser visto. Mas que tem muito pouco - quase nada - a ver com o personagem criado por Arthur Conan Doyle. O Sherlock deste novo filme vem totalmente repaginado, longe do conceito clássico do detetive que resolve seus casos apenas fumando seu cachimbo, e amparado exclusivamente pelo seu forte poder de dedução. Agora, temos um Sherlock que briga, que dá socos e pontapés com total eficiência, de muita ação física, e capaz de escapadas magníficas típicas de um Indiana Jones. Ah, o poder de dedução permanece. Ufa! Mas se o personagem é tão tão tão distante do original, por que ele - e o filme - se chamam “Sherlock Holmes”? Por que simplesmente não assumir que é um personagem novo? É uma simples questão financeira. Produzir um filme é caro. Produzir um candidato a blockbuster é mais caro ainda. Talvez só exista no cinema moderno uma única coisa mais cara que produzir um candidato a blockbuster: divulgar um candidato a blockbuster.Assim, não é à toa que os grandes estúdios estão sempre à procura de nomes que já tenham, de antemão, alguma forte identificação com o público, para que estes mesmos nomes sejam transformados em filmes. A conta é simples: na hora de pagar uma campanha de marketing, é menos caro divulgar um filme como nome já famoso - Batman, Homem Aranha, Shrek, Star Wars, etc, etc, etc... Sherlock Holmes - do que começar tudo do zero, divulgando um nome de algum personagem que ainda tenha de ser apresentado ao grande público. É o bom e velho conceito de franquia.Mas voltando ao filme propriamente dito, a trama começa mostrando o novo Sherlock (Robert Downey Jr., ótimo como sempre) meio chateado com seu fiel escudeiro Watson (Jude Law, outro grande protagonista). Motivo: Watson está prestes a se casar e a abandonar o mundo das investigações. É neste contexto de despedida que a famosa dupla vai tentar resolver o mistério de Lord Blackwood (Mark Strong, também bastante eficiente como vilão), um poderoso político inglês preso e condenado por assassinato, mas que continua aterrorizando Londres mesmo após o seu enforcamento.Os fãs de Guy Ritchie podem ficar sossegados: o diretor continua utilizando aqui o mesmo estilo que o consagrou em seus trabalhos anteriores como “Snatch - Porcos e Diamantes” ou “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”. Ou seja, muita ação, cortes de grande rapidez, enquadramentos diferenciados, ritmo incessante e uma estética bastante influenciada pela narrativa de histórias em quadrinhos. E - claro - sarcasmo, muito sarcasmo. Boa parte dos méritos do filme reside em seus diálogos afiadíssimos e irônicos. Direção de arte e fotografia atuam em conjunto para criar com bastante eficiência uma Londres ao mesmo tempo imponente, majestosa, sombria e assustadora, em tons de preto e azul escuro. Enquanto a trilha de Hans Zimmer busca sair do convencional e se apoia num belo trabalho baseado em cordas (mesmo porque o protagonista se inspira tocando violino). Porém, como vem acontecendo com os blockbusters, trata-se novamente de uma trilha que não dá sequer um minuto de silêncio aos ouvidos da plateia. O resultado é um entretenimento divertido e muito bem produzido. Escapismo de primeira linha feito sob medida para curtir nas férias, desde que não se exijam coerência e realismo na trama... elementar meu caro leitor.
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