Mostrando postagens com marcador Mark Ruffalo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mark Ruffalo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Traidos Pelo Destino


Elenco estrelado e bom diretor salvam o projeto de se tornar um telefilme
Marcelo Forlani/Omelete
Sempre que são questionados sobre os motivos que os levaram a fazer determinado filme, atores e atrizes respondem sem pensar: o roteiro (não que um pote cheio de pepitas de ouro seja irrelevante, veja bem). E é por isso que não me conformo quando vejo um elenco estrelado como este de Traídos Pelo Destino (Reservation Road, 2008) desperdiçando seu talento em uma obra aquém de suas habilidades. Onde foi que aquele script dourado enferrujou?
De certa forma, esta incerteza, este detalhezinho, é também o que alimenta a trama do filme. Era um dia perfeito para Ethan Learner (Joaquin Phoenix), sua esposa Grace (Jennifer Connelly) e seus dois filhos, Emma (Elle Fanning) e Josh (Sean Curley). Assim como era bom também para o advogado Dwight Arno (Mark Ruffalo) e seu filho Lucas (Eddie Alderson). Enquanto os Lerners passaram a tarde em um lindo parque e ouviram o recital de Josh, Dwight e Lucas estiveram em um jogo de beisebol do Boston Red Sox. E é nesse ponto que o destino age, descarrilhando as vidas das duas famílias para sempre.
Mas o que começa como um drama promissor, carregado de dor, vai aos poucos se desviando para um caminho confuso até se tornar um thriller. Neste processo, a perda da vontade de viver experimentada por Learner acaba eclipsando os problemas de sua própria esposa, que sofre tanto quanto ele, mas consegue juntar suas forças para seguir adiante, enquanto seu marido vai se enterrando na depressão e obsessão. E nesta equação, quem vai mostrando mais uma vez o ótimo repertório é Mark Rufallo, que a cada cena aumenta a intensidade dos problemas enfrentados pelo seu personagem.
Baseada no livro Reservation Road, escrito por John Burnham Schwartz, que assina o roteiro ao lado do diretor Terry George, Traídos Pelo Destino tem a estrutura clássica de um telefilme, daqueles que passam sábado à noite e você só assiste em último caso. Porém, escapa deste rótulo por alguns detalhes: conta com um bom cineasta na direção e reúne um ótimo elenco. Juntos, eles constróem um desfecho mais compatível com suas carreiras, o que não torna o filme uma obra-prima, mas ao menos prova que eles não estavam ali só pelo dinheiro.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vigaristas


Filmes sobre golpes simpáticos e divertidos aplicados por golpistas simpáticos e divertidos costumam ser bastante… simpáticos e divertidos. “Golpe de Mestre” e “Onze Homens e um Segredo” são dois exemplos bem marcantes deste - digamos - sub-gênero. A boa notícia é que “Vigaristas” (título nacional que batiza “The Brothers Bloom”) vai muito além do simpático, e muito, muito além do divertido. Trata-se de uma verdadeira preciosidade.Os irmãos do título original são Stephen (Mark Ruffallo) e Bloom (Adrien Brody, de “O Pianista”). Órfãos, desde crianças eles são expulsos das famílias que tentam adotá-los por estarem sempre aplicando desfalques em seus padrastos. O inteligente Stephen é quem arquiteta as ideias e cria os planos. E o sensível Bloom é um excelente executor.Porém, quando chega à idade adulta, Bloom entra em crise existencial. Ele percebe que não é ninguém, e que durante toda a vida apenas desempenhou os papeis escritos por seu irmão. Melancolicamente, ele precisa ir em busca do próprio destino. Stephen, porém, não quer que a dupla se desfaça, e propõe ao irmão um último e grande golpe: desfalcar Penelope (Rachel Weisz, de “O Jardineiro Fiel”) uma excêntrica milionária.A partir daí, o ótimo roteiro e a empolgante direção de Rian Johnson desenvolvem um delicioso jogo ilusório ao redor do mundo, onde nada é o que parece, e onde as maiores certezas se desvanecem num segundo. Uma brincadeira de perde-e-ganha? Muito mais que isso, pois os personagens de “Vigaristas” têm nuances, inteligência, profundidade e humanismo.É tocante a interpretação de Brody como o homem que percebe ter sido um títere durante toda a vida. Um executor sem vontade própria, um manipulado que imaginava ser o manipulador. É riquíssima a personagem Penelope, a mulher que sabe tudo, que tem tudo, mas que nunca vivenciou nada, sendo escrava de seus livros e vítima de uma piada de mau gosto. Bloom tem sede de individualidade. Penelope tem sede de viver. Cada um ao seu jeito, ambos precisam recuperar os tempos perdidos de suas vidas. E em meio a eles está Stephen, um homem que… bem, como já foi dito, nada neste filme é o que parece.Não bastassem as riquezas dos personagens, a fina ironia dos diálogos, o sarcasmo das situações, e as belíssimas locações (Sérvia, Romênia, Montenegro e República Checa), ainda por cima o filme tem uma direção genial repleta de planos criativos (e significativos), ótimo ritmo, interpretações carismáticas e um eficiente trabalho de som.A direção de arte não estabelece períodos. Mistura o novo com o antigo, o clássico com o moderno, e cria assim um visual de conto de fadas, amparado ainda mais pela beleza da cidade de Praga.Criativo, inteligente e sensível, o filme foi lançado em pouquíssimas salas nos cinemas dos EUA, onde naufragou na bilheterias.
Celso Sabadin/100% Vídeo