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sábado, 21 de novembro de 2009

O Selvagem da Motocicleta


Filme belo e estranho de Coppola sobre a juventude faz retrato idílico de um passado perdido
Por: Rodrigo Carreiro

Uma das características mais importantes do cinema, no século XX, foi a confirmação de sua capacidade de emoldurar em filmes a identidade cultural de um povo, ou de uma nação. Com relação aos EUA, país que produz a maioria esmagadora dos filmes lançados em escala internacional, a imagem refletida pelo cinema tem aspectos bastante curiosos. Um deles é a projeção da década de 1950 como o período dourado da sociedade daquele país. A razão desse fascínio com a década de nascimento do rock’n’roll é um mistério, mas pode ser conferida até mesmo em filmes que não se passam no período. É o caso de “O Selvagem da Motocicleta” (Rumble Fish, EUA, 1983), de Francis Ford Coppola.
O filme não é ambientado naquele período de nascimento e consolidação da Guerra Fria, mas 30 anos depois. Não possui nenhuma referência explícita a ícones da época, como o já citado Elvis ou James Dean. A narrativa jamais cita algo dos anos 1950. Ainda assim, o filme está impregnado de um senso de nostalgia por um passado que não volta mais, um passado idílico de inocência perdida – e as imagens que traduzem visualmente essa nostalgia pertencem à década do senador Joseph McCarthy: motos Harley Davidson, casacos de couro, brigas de gangue, rebeldia juvenil.
O retorno aos anos 1950 não é exclusivo de Francis Ford Coppola; pode ser verificado em muitos outros diretores, de escolas completamente distintas, a exemplo de David Lynch e Jonathan Demme. O homem de “O Poderoso Chefão”, pelo contrário, sempre foi um visionário aparentemente desconectado dessa imagem de nostalgia pós-guerra, imagem que ele abraçou com força durante a primeira metade da década de 1980, com filmes como “Tucker” e o co-irmão de “O Selvagem da Motocicleta”, o anterior “Vidas Sem Rumo”. Essa declaração implícita de amor por um passado nostálgico deve querer dizer algo sobre a sociedade norte-americana. Vale uma reflexão particular. Não aqui.
“O Selvagem da Motocicleta” é um filme pequeno, bem na contramão da grandiloqüência que marcou a produção de Coppola na década anterior. Dos filmes ambiciosos e operísticos como a trilogia “O Poderosos Chefão” e “Apocalypse Now”, o cineasta ítalo-americano passou a trabalhar numa escala mais íntima e mais particular. Parte disso resultou de seguidos fracassos financeiros que levaram sua produtora, a American Zoetrope, à falência. A outra parte pode ser franqueada à vontade de Coppola em falar com a juventude de maneira mais próxima, algo que não havia conseguido nos trabalhos anteriores.
O personagem principal é Rusty James (Matt Dillon). O rapaz lidera uma pequena gangue adolescente numa cidade industrial falida. É um rebelde sem causa, que provoca brigas, gosta de posar de durão e tem problemas na escola. Seu comportamento é uma clara tentativa de seguir os passos do irmão, um lendário líder juvenil que fez fama e saiu da cidade há muitos anos, em busca de espaço na Califórnia, e nunca mais deu notícias. A mãe de Rusty fugiu de casa, e o pai é um alcoólatra. O retrato da vida adolescente é repleto de melancolia e desencanto absoluto com o futuro. A visão pessimista do futuro bate perfeitamente com os primeiros restros de uma geração perdida que surgiam nos anos 1980.
Uma das grandes sacadas de Coppola foi filmar em preto-e-branco. Ao mesmo tempo, o som do filme parece ter problemas – é baixo, abafado, repleto de ruídos que tomam o lugar da música na trilha sonora. Aparentemente não existe razão para essas duas coisas, mas na segunda metade do filme, quando o lendário Motorcycle Boy (Mickey Rourke) reaparece sem aviso prévio, ficamos sabendo o motivo: ele é daltônico (ou seja, não consegue distinguir as cores e vê em preto-e-branco) e possui um grave problema auditivo. Em outras palavras, a conclusão óbvia é de que “O Selvagem da Motocicleta” é narrado do
ponto de vista dele, apesar do seu nome jamais ser mencionado por algum personagem.
A interpretação de Mickey Rourke, com ar apático e desalentado, é perfeitamente coerente com a atmoesfera do filme, o que reforça ainda mais a teoria de que ele é o narrador (nesse caso, um narrador implícito). O retrato da adolescência é contundente: a sexualidade vulcânica, a falta de objetivos claros, a energia dispersa, tudo está no lugar, desde que o espectador se lembre que a vida adolescente é filtrada pelos olhos do personagem de Rourke, um cara jovem mas experiente, que já viu de tudo – e não gostou muito do que viu. É a chegada dele à cidade que confere sentido a todo o resto, no filme.
Ademais, o retrato da juventude pintado por Coppola é por vezes cruel. Rusty e o irmão-lenda, por exemplo, têm objetivos distintos, e sabem que dificilmente conseguirão cumpri-los. Rusty quer virar uma lenda e ser tão respeitado quanto o irmão mais velho; o Motorcycle Boy, pelo contrário, só deseja descer do pedestal e viver uma vida comum. Um irmão quer ser o outro, embora ambos saibam que as chances disso acontecer são ridículas. Coppola filma tudo com senso perfeito de desorientação e apatia, incluindo ainda um ingrediente misterioso, que é jogado no filme a partir do utilização esporádica de cor.
Elementos coloridos só aparecem duas vezes em “O Selvagem da Motocicleta”. A primeira é no peixe que empresta o nome ao título original (no Brasil, chamamos de Beta). A metáfora entre o personagem de Mickey Rourke e o peixe briguento não é sutil, mas o segundo uso da cor – os reflexos de Rusty James em um carro, na cena final – admite um grande número de interpretações. Fico com a mais simples: talvez o rapaz esteja, naquele momento traumática, atingindo a idade adulta, e assim abandonando a visão preto-e-branca da juventude. É uma possibilidade. “O Selvagem da Motocicleta” é um filme estranho, mas belo, que merece uma conferida atenta.

http://www.cinereporter.com.br/dvd/selvagem-da-motocicleta-o/

Vidas Sem Rumo


Filme de Francis Ford Coppola lançou galãs como Matt Dillon, Tom Cruise, Ralph Macchio, Rob Lowe e Emilio Estevez
Há 26 anos, um grupo de garotos bonitões e rebeldes chamou a atenção no filme "Vidas Sem Rumo", de Francis Ford Coppola. Encabeçando o time estava Patrick Swayze, que na época já tinha 30 anos, mas representou muito bem um jovem de 20 e poucos anos, o irmão mais velho e esperto da turma.
Seu personagem, Darrel Curtis, é descrito no site IMDB como forte e musculoso. Seus olhos pareciam duas pedras de gelo. Era durão, esperto e sabia usar a cabeça. Um verdadeiro líder, seguido pelos rapazes interpretados por Matt Dillon, Ralph Macchio, Rob Lowe, Emilio Estevez, Tom Cruise e C. Thomas Howell.

carreira de Patrick Swayze após "Vidas sem rumo" é recheada de muitos baixos e alguns picos memoráveis. Os dois grandes sucessos da sua vida são "Ghost - Do Outro Lado da Vida" e "Dirty Dancing - Ritmo Quente". O drama em que faz um fantasma que tenta se comunicar com sua amada, interpretada por Demi Moore, está entre as cem maiores bilheterias do cinema, ocupando a 53º posição. Já "Dirty Dancing" é o filme que fez de Swayze um astro conhecido no mundo todo. Além disso, é referência de moda, dança e cultura pop, sem falar, é claro, de ter emplacado o hit "(I've Had) The Time Of My Life". Entre outros pontos altos da carreira do ator estão: a aventura surfista "Caçadores de Emoção" (1991), ao lado de Keanu Reeves, e "Para Wong Foo, obrigada por tudo, Julie Newmar" (1995), que lhe deu o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro. Seu último filme, "Powder blue" (2009), com Jessica Biel e Ray Liotta, estreou diretamente em DVD no mercado americano em maio. Já fazendo tratamento de quimioterapia, participou ainda de oito episódios da série "The Beast".
Em "Vidas Sem Rumo", Tom Cruise tinha o papel de menor destaque, mas, sem dúvida, foi o ator que mais se projetou posteriormente.
Com uma série de escolhas corretas após a chance dada por Coppola, ele se tornou uma das referências dos anos 80. Fez filmes adolescentes como "Negócio Arriscado" (1983) - que possui a cena clássica dele cantando de cueca - e, claro, "Top Gun - Ases Indomáveis" (1986), que marcaria sua carreira para sempre.
Trabalhou também ao lado de nomes consagrados como Martin Scorcese e Paul Newman em "A Cor do Dinheiro" (1986) e
Dustin Hoffman em "Rain Man", 1988. A mistura de sucessos de bilheterias e filmes elogiados pela crítica mostrou ser a fórmula certa para o sucesso. No fim dos anos 80, Tom Cruise já era incontestavelmente uma estrela.
Com o rótulo de galã no bolso, era hora de se desconstruir. Tentou ficar feio vivendo um ex-combatente da Guerra do Vietnã em "Nascido em 4 de Julho" (1989) e quase ganhou o Oscar. Depois partiu para projetos ousados como "De Olhos Bem Fechados" (1999), último filme de Stanley Kubrick, e "Magnólia", em que ganhou outra indicação ao Oscar. Mas os momentos corajosos se alternavam sempre com sucessos de bilheteria como "Missão Impossível" (996) e "Entrevista com o Vampiro" (1994).

Nos anos 2000, Tom sofreu com o fantasma de decadência, por conta de seu comportamento estranho e aparições surtadas. O filme "Leões e Cordeiros" (2007) foi um fracasso nos cinemas, mas o sucesso de "Operação Valquíria" (2008), que faturou milhões no mundo todo, parece ter colocado Cruise novamente no topo. Recentemente, ele concordou em fazer a quarta parte de “Missão: Impossível”, que será produzida pelo próprio em parceria com J.J. Abrams.
Bonito, talentoso e cheio de estilo, Matt Dillon tinha tudo para se transformar em "o cara" de Hollywood após o sucesso de "Vidas Sem Rumo". Mas o destino - ou o próprio Dillon - não quis que as coisas fossem assim. Ao rodar "Vidas Sem Rumo", Matt caiu nas graças de Coppola que, quase simultaneamente, deu a ele o papel principal em "O Selvagem da Motocicleta" (1983). No longa, ao contracenar com os "malvadões" Mickey Rourke e Dennis Hopper, o nosso astro em ascenção deve ter descoberto o lado "B" de Hollywood. O fato é que ele nunca mais quis saber de mainstream.
Mas Matt Dillon não entendeu que ser alternativo não significava fazer filmes sem expressão. E os anos 80 seguiram-se terríveis para o galã. Até que um diretor, também outsider, foi resgatá-lo da lama. Gus Van Sant, que mais tarde ganharia o Oscar por dirigir "Gênio Indomável" (1997), chamou o ator para fazer "Drugstore Cowboy", em 1989. O longa sobre drogados assaltantes de farmácia rendeu a Matt o prêmio de melhor ator no Independent Spirit Awards.

Três anos depois, outra cartada certeira com "Vida de Solteiro" (1992). O primeiro sucesso do diretor Cameron Crowe - ex-editor da revista "Rolling Stone" - trazia Dillan como um roqueiro na Seattle grunge do começo dos anos 90. Retrato de uma época com direito a participação de Eddie Vedder (Pearl Jam), Layne Staley (ex-Alice in Chains, morto em 2002), Ben Shepherd (Soundgarden) e outros músicos da cena grunge. Com a carreira de volta aos trilhos, nos anos 90 e 00, aceitou papéis em filmes mais comerciais como "Quem Vai Ficar com Mary?" (998), "Um Sonho Sem Limites" (1995) e "Garotas Selvagens" (1998). A grande virada veio mesmo com "Crash- No Limite" (2005). O filme ganhou o Oscar e Dillon recebeu sua primeira indicação, como ator coadjuvante, na maior premiação do cinema. No mesmo ano, teve também a chance de voltar às suas raízes rebeldes interpretando Hank Chinaski, o alterego do escritor Charles Bukowski, em "Factotum". Em 2010, o ator se prepara para filmar "Rio Sex Comedy", comédia que mostra a visão de estrangeiros em relação ao Rio de Janeiro.
Se você tiver nascido depois dos anos 80 ou não for fanático por cinema, provavelmente não tem idéia de quem sejam Ralph Macchio, Emilio Estevez, Rob Lowe e C. Thomas Howell. A verdade é que esses rapazes faziam um tremendo sucesso na década dita perdida, principalmente Rob Lowe. O moreno dos olhos azuis era o sonho de qualquer menina. Hoje, ele continua bonitão mas sua carreira nem tanto. Fez participações em "Austin Powers - Um Agente Nada Secreto (1997) e "Obrigado Por Fumar" (2005). Mas, no momento, tem se destacado na televisão, interpretando o senador Robert McCallister em "Brothers & Sisters". Mas nem sempre foi assim, essa escassez de papéis. Lowe e também Emilio Estevez eram integrantes do grupo-sensação dos anos 80. Apelidada pelos americanos de "Brat Pack", a turma - que inclui Demi Moore, entre outros - está nos melhores filmes adolescentes da época como "O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas" (1985) e "O Clube dos Cinco" (1985).
Ralph Macchio é outro aprisionado nos anos 80. A carreira dele se resume a "Karatê Kid". Após o sucesso retumbante do aprendiz de carateca Daniel San em 1984, ele filmou mais duas sequências, sem tanto sucesso e não conseguiu emplacar mais nada de peso. Atualmente, interpreta o policial Archie Rodriguez na série "Ugly Betty”.
Dos sete integrantes da gangue de "Vidas Sem Rumo", o menos conhecido no Brasil é C. Thomas Howell. O ator, que tinha um dos principais papéis no filme de Coppola, teve algum êxito com produções como "A Morte Pede Carona" (1986) e "Amanhecer Violento" (1984). Apesar de ter uma carreira bastante ativa, fazer roteiros e produção, parece que, assim como os outros quatro, não conseguiu repetir o sucesso obtido nos anos 80.

http://ego.globo.com/Gente/Noticias/0,,MUL1306936-9798,00-PATRICK+SWAYZE+ESTRELOU+VIDAS+SEM+RUMO+HA+ANOS+RELEMBRE+ELENCO+DE+GALAS.html

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Rei Da Comédia



Sátira ácida à cultura das celebridades é ótimo filme injustiçado de Martin Scorsese
Por: Rodrigo Carreiro

Todo mundo conhece alguém “sem noção”. A expressão se refere às pessoas que se comportam de maneira freqüentemente inadequada sem fazer idéia disso. São pessoas que parecem viver mergulhadas em um mundo particular, e enfrentam muitas dificuldades para viver em sociedade. Indivíduos assim costumam deixar a gente desnorteado, sem saber direito com agir, apenas desejando que sumam da nossa frente o mais rápido possível – o que quase sempre não acontece. Chatos e desagradáveis, esses personagens são bem raros no cinema. Um deles é o protagonista de “O Rei da Comédia” (The King of Comedy, EUA, 1983), comédia injustiçada de Martin Scorsese.
Embora tenha diálogos afiados e algumas seqüências antológicas – todas as cenas passadas no surreal quarto do protagonista, decorado com figuras de papelão em tamanho real com quem ele “conversa” na maior intimidade, são brilhantes – o filme foi um fracasso retumbante de bilheteria, causando considerável dano à mais famosa parceria entre ator e diretor da época das filmagens (Scorsese + Robert De Niro). É difícil apontar os motivos de tamanho fracasso, mas este é provavelmente o clássico caso do filme à frente de seu tempo. Com base em um roteiro de Paul Zimmermann, Scorsese construiu uma perfeita fábula urbana de humor negro, uma sátira ácida e inteligente à cultura das celebridades, cheia de interpretações de alto nível e um estilo de humor negro bem peculiar.
Como de hábito na carreira de Scorsese, “O Rei da Comédia” não começou como projeto autoral. O cineasta de Nova York recebeu o roteiro do amigo Robert De Niro em 1974, antes mesmo que a parceria entre ambos tivesse engrenado vez. Foram necessários mais sete anos antes que De Niro conseguisse convencer o amigo a dirigir o filme, o que só ocorreu em 1981, um ano depois de “
Touro Indomável”, talvez o mais memorável trabalho da dupla. A expectativa do público deve ter sido prejudicial ao projeto, pois depois de duas gemas como a cinebiografia do boxeador Jake La Motta e “Taxi Driver” (1976), era natural esperar mais um épico mundano sobre homens obsessivos. Mas Scorsese e De Niro preferiram dar uma guinada radical e mergulharam numa comédia de humor negro, gênero mais sutil e problemático, com o qual nenhum dos dois estava habituado.
A história gira em torno de Rupert Pupkin (De Niro), comediante amador que sonha em se tornar astro nacional. Para conseguir mostrar seu talento, ele imagina que só precisa de uma chance, aparecendo no programa de TV do famoso cômico Jerry Langford (Jerry Lewis). O problema é que Pupkin, que só se apresenta no quarto da própria casa para uma platéia fictícia, não tem a mínima experiência, o que obviamente o desqualifica para participar de um programa líder de audiência. Como legítimo “sem noção”, porém, Pupkin vive em meio a delírios de grandeza, em que se imagina o novo “rei da comédia”. Não demora para que ele se sinta o mais novo amigo de Langford, embora o astro não lhe queira ver pela frente nem pintado de ouro. Se livrar de Pupkin, porém, vai se mostrar algo bem complicado.
Com a ajuda de De Niro, autor de um desempenho sensacional, Scorsese traça um retrato implacável dos dois homens. Ambos são, cada um a seu modo, sujeitos desagradáveis. Pupkin vive mergulhado em devaneios, sem
contato com o mundo real. Somente uma idéia obsessiva habita a mente dele: virar uma celebridade. Já Jerry Langford, em interpretação crua e contida de Lewis, é um astro enfadado. Está de saco cheio do mundo, não dá atenção a ninguém e vive amuado, caminhando pelas ruas de Nova York como se carregasse uma tonelada nas costas. Embora seja um comediante profissional, longe das câmeras é a própria imagem do mau-humor. Entre os dois, há ainda a figura excêntrica de Marsha (Sandra Bernhard), uma caçadora de celebridades sexualmente atraída pelo apresentador de TV.
Com personagens tão consistentes, Scorsese não tem muito trabalho em construir uma sátira brilhante, expondo sem retoques os meandros da cultura descartável das celebridades. Há momentos de puro gênio cinematográfico, como a sensacional tomada em zoom reverso que mostra Pupkin interpretando um número cômico em frente a uma platéia de papelão (que solta gargalhadas como se fosse composta por pessoas reais). Isso sem falar no final, desconcertante e absolutamente adequado ao tema, que encerra com chave de ouro – e uma nota irônica infalível – a reflexão caprichada sobre o conceito de celebridade instantânea.

http://www.cinereporter.com.br/dvd/rei-da-comedia-o/