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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Gandhi


Sir Ben Kingsley estrela como Mohandas Ghandi nesta fascinante biografia de Richard Attenborough sobre o homem que subiu de simples advogado a símbolo mundial de paz e tolerância. Uma obra-prima imprescindível, GANDHI é uma história intrigante sobre ativismo, política, tolerância religiosa e liberdade. Mas no centro de tudo isso, está um homem extraordinárioque lutou por uma existência pacífica e libertou uma nação. Vencedor de 8 Oscar® incluindo melhor filme, melhor diretor (Richard Attenborough) e melhor ator (Sir Ben Kingsley), o aclamado elenco de GANDHI ainda inclui Candice Bergen, Edward Fox, Sir John Gielgud, Roshan Seth e Martin Sheen.
O filme mostra muito bem o tempo de Ghandhi na India, personagem que marcou o mundo com sua politica da não violencia e da resistencia pacifica tão em falta nestes dias, Ghandhi transforma todo o poderio inglês em pó, como ele próprio afirma, não podemos conseguir nossa luta no campo que o inimigo é mais forte, a Inglaterra é como os Eua de hoje para terem idéia, Ghandhi que Leu o livro resistencia Civil passa muito no filme que entendeu e que pela primeira vez aplicou em larga escala esta idéia e como se provou foi eficiente, conseguindo a independencia indiana.
O filme, de três horas de duração, é espetacular. A história - que até o momento eu não sabia se era com "h" ou com "e", é simplemente fantástica, a direção faz do filme um buraco negro para sua atenção e a atuação do protagonista Ben Kingsley, no papel de Gandhi, é incrivelmente real.Após assistir fui direto à internet para descobrir se o filme retratou a história com fidelidade ou se ouveram alterações nos fatos, e fiquei muito feliz ao saber que é totalmente veridica, no nível dos detalhes.Pesquisando um pouco mais descobri que o diretor, Richard Attenborough, fez um enorme trabalho de pesquisa. Ele passou um tempo na Índia, inclusive conheceu a família e companheiros do Gandhi. Um fato interessante: o filme levou mais de 20 anos para ser concluído, devido principalmente a problemas financeiros - o filme foi totalmente executado sem dinheiro da indústria cinematográfica.
É impossível não se sensibilizar ao ver “Gandhi” (1982). Dirigido por Richard Attenborough, o filme traz a cinebriografia de um dos homens mais sensacionais de toda a história: Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido popularmente como Mahatma Gandhi, interpretado brilhantemente por Ben Kingsley, atuação que lhe rendeu o Oscar. Vale ressaltar também a semelhança física espantosa do ator com o personagem real e a ótima fotografia do filme.
“Gandhi” mostra a trajetória do advogado indiano desde sua atuação contra a opressão do império britânico para com o povo hindu na África do Sul até seu retorno à Índia, guiando o povo para a independência de seu país pregando a revolução não-violenta, enaltecendo assim toda a serenidade e sabedoria capazes de unir muçulmanos, hindus e cristãos e que, ao mesmo tempo, encontram-se tão ausentes em nossos dias.
O filme conquistou 8 Oscars (Melhor Ator, Melhor Diretor, Melhor Filme, Roteiro Original, Direção de Arte, Fotografia, Figurino e Edição) e foi indicado para outras 3 categorias (Som, Maquiagem e Trilha Sonora), deixando os estúdios que não se interessaram em produzí-lo de cara no chão. Apesar de longo (188 minutos) “Gandhi” é envolvente do princípio ao fim, figurando, sem dúvida, entre os maiores espetáculos já vistos no cinema.
“Olho por olho, e o mundo acabará cego”. (Mahatma Gandhi)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Spartacus


A superprodução “Spartacus” (EUA, 1960) nasceu de uma excentricidade do ator Kirk Douglas. Após fazer campanha para conseguir o papel-título do épico “Ben-Hur” e perder a vaga para Charlton Heston, o ator decidiu, ele mesmo, produzir um filme semelhante. Comprou os direitos do romance histórico de Howard Fast, que ficcionalizava a história real do escravo que liderou uma rebelião na época do Império Romano, e deu partida na produção. Não sabia, mas estava criando o épico definitivo do subgênero “saia-e-sandália”, um melodrama de alta qualidade que influenciaria inúmeras produções futuras, como “Gladiador” (2000) e “Tróia” (2004).
Havia grande nervosismo nos estúdios Universal, que temiam o destino do filme por ele ser o primeiro a dramatizar a época do Império Romano sem nenhuma referência a Jesus Cristo. Além disso, os bastidores não foram tranqüilos, já que o primeiro diretor escolhido, Anthony Mann, acabou demitido após alguns dias de filmagem, o que irritou elenco e equipe técnica. No lugar dele, assumiu um jovem e pouco conhecido cineasta:
Stanley Kubrick. O homem que mais tarde faria clássicos como “2001” dispensou atores, brigou com o fotógrafo Russell Metty e estragou a amizade que mantinha com Kirk Douglas, mas segurou o filme com rédea firme e entregou uma produção magnífica.
Embora não tenha o toque pessoal do cineasta, que não teve liberdade para mexer no roteiro de Dalton Trumbo, “Spartacus” prova que um filme comercial, feito para grandes platéias, pode ser inteligente e ter um grande texto, além de um trabalho visual estonteante, de tirar o fôlego. O modo como Kubrick encenou a grande batalha entre escravos e romanos, no clímax do filme, é o melhor exemplo desta última característica. Com 8.500 figurantes, Kubrick criou coreografias impressionantes – como a marcha dos romanos na hora da batalha – e cenas de luta de realismo impecável, que continuam a impressionar mesmo 40 anos depois de filmadas.
Entre as lendas da produção, ficaram famosas as ríspidas discussões com o fotógrafo Russell Metty, profissional renomado, que reclamava para quem quisesse ouvir da intromissão de Kubrick no trabalho de posicionamento de câmera e iluminação dos sets. Kubrick não deu bola e chegou até a desenhar storyboards, ensinando como enquadrar certas cenas. Metty chegou a pedir para que a Universal retirasse o nome dele dos créditos da produção. Por sorte, teve o pedido negado – e ganhou o Oscar de fotografia no ano seguinte. Fotógrafo premiado e estilista de carteirinha, Kubrick fez um trabalho excepcional na parte visual do filme, equilibrando luz (as planícies tórridas do deserto italiano) e sombra (as escuras e úmidas paredes das masmorras onde vivem os gladiadores) em iguais proporções.
A história, para quem não conhece, acompanha a trajetória de Spartacus (Kirk Douglas), escravo de minas de sal comprado por um mercador (Peter Ustinov, que ganhou o Oscar de ator coadjuvante) que se torna gladiador. Por causa do amor de uma escrava (Jean Simmons), Spartacus lidera uma rebelião e foge, inspirando milhares de outros escravos a fazerem o mesmo e desafiando abertamente o poder de Roma, que não demora a pôr a formidável máquina militar que possuía na época para tentar esmagá-lo, como exemplo a não ser seguido.
“Spartacus” consegue a proeza de equilibrar tramas de diversas escalas em um épico cheio de sutilezas. O filme oferece várias leituras, da íntima (a história de amor entre dois escravos, Spartacus e Varínia) à grandiosa (a reconstrução visual de uma das mais espetaculares batalhas do período histórico enfocado), sem esquecer do contexto histórico (a luta de dois senadores corruptos pelo poder em Roma), tudo feito com enorme competência. Pequenos detalhes, como a curta seqüência em que Crassus (Olivier) tenta seduzir o escravo interpretado por Tony Curtis, revelam a decadência que reinava na Roma do período.
Os diálogos de Dalton Trumbo são puro melodrama, mas um melodrama de altíssima qualidade, que cria diversos momentos inesquecíveis, como o derradeiro encontro entre Varínia e Spartacus (“por favor, meu amor, morra logo”, exclama ela, angustiada diante do marido crucificado, em um momento capaz de levar muita gente às lágrimas) ou ainda a tentativa fracassada feita por Crassus para descobrir quem é o líder do exército rebelde (“eu sou Spartacus!”). Várias dessas cenas foram cortadas por imposição da censura, em 1960, mas foram reinseridas no filme em 1991, quando ele foi restaurado.
Claro que, posto diante da futura e quase inacreditável obra de Kubrick, o épico empalidece um pouco, mas não perde o posto de mais espetacular e mais humano filme de época sobre os romanos já feito em Hollywood. Além disso, “Spartacus” ainda teve a coragem de quebrar, pela primeira vez, o pacto feito entre estúdios para não empregar os homens que se recusaram a dedurar
companheiros na época do MacCarthismo, dando o crédito de roteiro a Dalton Trumbo – e esta é uma atitude política não apenas admirável, mas coerente com a postura ética assumida pelo personagem principal.
http://www.cinereporter.com.br/dvd/spartacus/